O relógio marcava 19h42 quando Isabela fechou o laptop pela terceira vez. Desde que voltaram do hotel, ela havia tentando trabalhar, revisar um relatório, responder e-mails — qualquer coisa que ocupasse a mente.
Nada funcionou.
A cada minuto que passava, o jantar marcado se aproximava — e com ele, a sensação de estar diante de algo que não era apenas um encontro, mas um divisor silencioso entre o antes e o depois.
Ela respirou fundo diante do espelho.
O vestido escolhido era simples: preto, elegante, sem exageros. Um pouco mais ousado do que normalmente usaria — mas ainda assim, dela. Prendeu o cabelo em um coque baixo, deixando duas mechas suaves caindo ao redor do rosto. Passou um batom vermelho discreto.
Quando finalmente olhou o resultado, pensou:
"Eu pareço alguém que decidiu não fugir."
O relógio mudou para 19h59.
Ela pegou a bolsa.
E desceu.
O restaurante ficava no andar mais alto do hotel, com vidro panorâmico e luz baixa o suficiente para criar intimidade se