capítulo 02 Assinando o contrato

Alina

— Acha que vou deixar minha única filha ficar esperando um companheiro destinado que pode nunca aparecer? — ele rosna, firme. — Já está tudo combinado: seu primeiro filho levará o sobrenome da minha família. O lobo em questão tem irmãos que podem carregar o nome da família adiante. Agora, assine, Alina.

— Não assina, Alina. Não me faça sentir mais essa culpa, por favor... não faça isso.- Minha mãe chora entre soluços.

Ele torce o braço dela com força, minha mãe se curva de dor em cima da escrivaninha, gritando desesperada de dor.

Ela era a peça mais cruel do jogo dele… a arma silenciosa que me dobrava, que me fazia ceder, mesmo quando tudo em mim gritava para resistir. Por causa dela, eu me via fazendo tudo o que ele queria.

— Para com isso, por favor! — grito aos prantos.

Ouço o estalo do osso quebrando. O grito dela é horripilante. Suor cobre sua pele.

— Para com isso! — berro novamente. — Eu assino!

Me levanto mancando, apertando minha barriga doendo muito e assino a porcaria.

Uma semana se passa. Minha mãe organiza todo o meu enxoval, tentando sorrir, fingindo que tudo está bem.

— Podemos fugir, nós duas, mãe... — sussurro, baixinho.

— Os guerreiros vigiam tanto a frente quanto os fundos, Alina. Nem chegaríamos ao portão ; ela responde.

— Não se preocupe, mãe. Eu vou ficar bem. Mando notícias. — Agora era minha vez de fingir.

Com as malas arrumadas, seguimos para minha união. Saímos da cidade e nos embrenhamos por uma estrada cada vez mais isolada, tão distante de qualquer sinal de vida urbana que parecia fora do mapa.

Ao chegar ao alto da colina, avistamos um grupo de machos reunidos ao redor de uma fogueira, comemorando. O cheiro de carne assada invade o ar.

— Qual critério usou para escolher esse macho? — ouso perguntar.

— Olhe lá para baixo. O que vê?

Olhei. Apenas machos à beira da fogueira.

— Machos?- Ergui uma sombrancelha.

Prendi a respiração, desapontada. Ele deveria me proteger e estava me jogando em um Alfa menor e pelo estado do lugar falido.

— O nascimento de machos aqui é espetacular — ele comenta.

Olhei para o lugar, que mais parecia uma colônia de pescadores. Eu havia sido criada entre a nata dos lobos, mas, claro, nenhum deles aceitaria o absurdo que meu pai estava propondo. Lobos na grande maioria tem um filhote, quem aceitaria passar o sobrenome da fêmea adiante?

— Não faça essa cara, Alina. Eles não são tão ruins quando se conhece de perto.

Fiquei calada, evitando mais problemas para minha mãe.

— Apenas prometa que manterá suas mãos longe dela.

— Eu prometo. Seu esforço será recompensado.

Pelo menos ele costumava cumprir sua palavra, se achando um lobo de honra.

— E o que meu companheiro ganhou com isso?- eu precisava saber o que o movia.

— Paguei uma quantia generosa ao pai dele em troca do filho levar meu sobrenome adiante. Eles são capazes de rasgar um inimigo ao meio com suas garras. Nossos herdeiros serão poderosos. Não pense que o escolhi sem propósito, Alina. E pelo seu bem, nem pense em fugir.

— Agora me sinto muito melhor — murmuro, sarcástica. — Já vi pai vender a filha, mas colocar na melhor universidade depois pagar para levá-la como um lixo qualquer é novidade.

Meu pai rosna.

— Por favor, Alina. Estamos quase chegando. Não quero que cheguem brigando; minha mãe implora, sua voz quebrando. Seu braço ainda estava na tipóia pela primeira surra, isso me faz calar.

— Eu sei que o lugar não é bem o que você está acostumada, mas o noivo é adequado às nossas necessidades.

"Nossas? Uma merda." Pensei comigo.

O carro para em frente a um grande barracão. Fêmeas dançam, machos tocam tambores, outros se movem no centro, em gestos primitivos.

— A noiva chegou! — alguém grita, e os tambores mudam para um ritmo mais forte e cadenciado

Meu pai me obrigou a vestir um vestido branco, de alças finas, sem soutien, com tecido transparente que revelava indecentemente meu corpo. Meus ossos gelaram ao descer, tentando manter o rosto sério e controlar meu cheiro. Três machos chegam, transformados em lobos.

Eles me rodeiam, cheiram-me e então recuam. Minha esperança de que ele fosse meu companheiro se esvaiu; não senti absolutamente nada ao vê-lo.

Olho para meu pai, curiosa.

— Não se preocupe. Isso é sinal de aprovação. Se não gostassem… você já estaria em pedaços.

Um arrepio lento e traiçoeiro percorreu minha coluna, arrancando de mim um tremor sutil, involuntário.

Ainda assim, por trás do medo, uma certeza se firmou, dura, inabalável.

Assim que aquele contrato chegasse ao fim, eu retomaria minha vida.

E dessa vez… definitivamente.

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