Capítulo 03 Primeiro encontro

Alina

Os lobos que haviam saído retornaram em forma humana, vestindo apenas calças de couro, com o busto exposto. Desta vez, um macho mais velho os acompanhava.

— Uma preciosidade, como você disse.

O lobo mais velho me observou com atenção.

— Este é Eric, meu filho

O macho deu um passo à frente. Precisei me esforçar para não recuar diante de sua imponência. Ele devia ter quase dois metros de altura, com músculos bem definidos que saltavam sob a pele, algo intimidante até para alguém que cresceu entre lobos, como eu. Loiro, de olhos azul-acinzentados tiinham um brilho de perigo contido.

Seu olhar percorreu meu corpo sem demonstrar emoção. Em seguida, voltou-se para meu pai, que assentiu com a cabeça.

— Leônidas.

— Olá, Eric.

— Vamos. Já está tudo pronto.

Ele seguiu na frente.

— Ele ainda está chateado Alaor? — meu pai perguntou ao lobo mais velho, enquanto o acompanhávamos.

— Sim. Mas, ou se acasala, ou não assume como Alfa. Um lobo de trinta anos precisa se firmar.

— Exatamente. Se eu depender apenas da deusa, não terei descendentes.

— Essa juventude...

Continuei andando em silêncio, ouvindo a conversa. Eu sabia que Eric também escutava, mas, assim como eu, tinha seus próprios motivos para permanecer calado.

Duas cadeiras foram colocadas lado a lado. Eric sentou-se ao meu lado, e seu cheiro amadeirado me envolveu. Algumas fêmeas, vestidas com tecidos leves e esvoaçantes, dançavam animadas. Os machos pareciam satisfeitos, servindo comida enquanto circulavam.

Nem eu, nem ele, tínhamos fome.

Tudo o que consegui pensar foi que passei cinco anos longe da minha mãe… para reencontrá-la em uma semana caótica — e, então, nos separarmos de vez.

— Eu te amo, mãe — disse ao me despedir.

— Eu te amo, minha menina. Que a deusa ilumine seu caminho.

Ela me abraçava com força.

Quando me soltei dela meu pai me abraçou.

— Isso é para o bem da nossa família e da nossa alcatéia, se cuida.- Ele me abraça, como se realmente eu importasse algo, mas o único que lhe importa de verdade é o poder- Sei que está chateada… mas chateada ou não, quero notícias de um herdeiro.

Queria poder mandá-lo ao inferno.

— Sim, pai. Obrigada.

Eles entraram no carro e partiram, me deixando em um lugar estranho, cercada por desconhecidos… por, no mínimo, três anos.

Eric pegou minhas malas e seguiu por uma pequena trilha. Logo chegamos a um vilarejo de casas de pedra, o que me fez perceber o quão antigo aquele lugar era.

Ao final do caminho, havia um grande sobrado também construído em pedra pintadas de branco. As janelas de madeira, combinavam com a estrutura rústica. Dois vasos altos com lavanda ornamentavam a imponente porta de entrada.

Eric entrou com minhas malas. Eu o segui escada acima, observando suas costas largas e bronzeadas. Cada músculo se movia com precisão sob a pele. Sua calça de couro marcava o corpo com indecência, e as veias saltadas em seus antebraços chamavam atenção.

Deveria ser pecado alguém ter um corpo — e um rosto — assim. Que desconcertante.

Ele deixou a mala no quarto.

— Há espaço no lado esquerdo do guarda-roupa. É seu.

— Obrigada.

— Volto em uma hora… para a consumação.

Ele se virou para sair. Antes que alcançasse a maçaneta, segurei seu antebraço.

— Não poderia deixar para outro dia? Estou muito cansada da viagem.

Tentei ganhar tempo. Precisava me acostumar àquilo… a ele.

— Não foi para isso que seu pai pagou? — respondeu, frio. — Um belo macho de raça para montar a própria filha.

Senti o golpe das palavras.

— Não, Alina. Esta é a minha parte no contrato. E eu vou cumpri-la.

Seu olhar desceu lentamente pelo meu corpo.

-Pena que não tem carne. Espero que ao menos seja resistente.

Fiquei parada, absorvendo o impacto.

Mas, pensando bem… nunca fui chamada de feia.

Tenho um metro e sessenta e dois — sou baixa, é verdade — mas minha pele sempre foi bem cuidada, primeiro por minha mãe, depois por mim. Meus cabelos escuros têm brilho natural. Meus seios são médios, e meu corpo… longe de ser desprezível, tenho curvas bem acentuadas nos lugares certos.

Na universidade, nunca me faltaram elogios.

Talvez… eu simplesmente não seja o tipo dele.

Minha loba se agitou dentro de mim, furiosa com o desrespeito.

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