Mundo de ficçãoIniciar sessãoEric
Saí do quarto confuso, encarando uma fêmea que deveria se mover apenas por conveniência. Alina parecia ensaiar cada gesto quando chegou; seu vestido de seda transformava cada curva em mercadoria à venda. Imaginei, com um misto de desprezo e desejo, que minha noite se limitaria a percorrer suas coxas, buscando satisfação onde não havia sentimento. E, no entanto, me deparei com uma fêmea que me negava até um suspiro na cama. Entre risos e música, procurei meu pai, mas ele se mantinha distante, olhando o céu. A lua cheia iluminava cada detalhe. — Está feito? — sua voz cortou o silêncio, calma, mas carregada de expectativa. — Sim, o Bosque do Norte já tem sua Luna. — Sentei-me ao lado dele. Ele se virou, sério. Em um dia em que esperava vê-lo saltando de alegria, aquele vinco em sua testa contava outra história. — Pai...o que fez? — uma onda de desespero tomou meu peito. Senti meu sangue fugir. — Você merece ter sua Luna… nenhum macho neste reino merece tanto quanto você chegar em casa e encontrar paz, a deusa é testemunha. Ele voltou seu olhar ao meu. — Pai… — Vai dar tudo certo. É só aproveitar os três anos do contrato para conquistar seu coração. — Conquistar? — perguntei, surpreso. — Não falou que o pai dela quer que o primeiro filho dela carregue o sobrenome da família dela, não era essa a exigência deles? — É verdade. Mas talvez eu não tenha deixado alguns detalhes muito claros. Talvez eu tenha te feito parecer apenas um lobo pobre e ambicioso. Estreitei os olhos, esse lobo astuto tinha aprontado das suas. Alina Acordei, fiz minha higiene e desci para tomar café. Esperei encontrar uma serva na cozinha, mas meus cunhados faziam o desjejum. A mesa estava repleta tinha pão assado, que claramente tinha sido eles que tinham feito, pelo restante da mesa bagunçada com panquecas esburacadas, mas um arranjo de alfazema no centro enfeitava o espaço, fiquei encantada com o carinho. Ao menos era um " bem vinda" do jeitinho deles. — Obrigada. — percebi a expectativa nos dois. Eram grandes e fortes, mas tinham um ar brincalhão; não era como o irmão que parecia congelar o tempo ao chegar. — Hoje é seu primeiro dia aqui no Bosque do Norte. Podemos levá-la para conhecer o lugar. — disseram, ainda sorrindo. Olhei confusa de um para o outro. Eles, enfim, notaram minha expressão. — Eu sou Alan, o gêmeo mais bonito. — falou se pavoneando, embora os dois fossem idênticos. — Eu sou Axel. — O outro falou simplesmente, e pude notar um abismo na personalidade entre eles. — Não vai fazer propaganda do seu ponto forte?—Falei experimentado um pedaço da panqueca. e seguindo o clima brincalhão. Alan olhou para o irmão e soltou: — Eu sou o gêmeo inteligente. — Axel fez uma careta, divertida e silenciosa. — E por que não há uma serva ajudando na cozinha? — perguntei, curiosa. Eles se entreolharam, desconfortáveis. — Nosso pai achou que cabe a você escolher quais fêmeas entrarão em nossa casa daqui por diante. Estranhei. Escutava histórias de brigas ferrenhas sobre as Lunas, relutantes em ceder seus cargos. — E a atual Luna não se importa? — Nossa mãe morreu no nosso parto. O pai ficou sozinho desde então. — Axel falou sério. — Sinto muito. — falei sinceramente. — Não se preocupe, Alina. Nosso pai cuidou bem de nós. — Alan piscou um olho, brincalhão.—Ele espera uma segunda chance da deusa. Depois de comer, saí para conhecer o lugar com meus cunhados. O bosque era realmente lindo. A luz passava entre as folhas, formando raios dourados. O cheiro da terra úmida, o estalar das folhas secas sob nossos passos… tudo me transportava para outro mundo. Sempre fui uma loba que viveu entre os humanos e os lobos mais urbanos, adaptada a ambos os mundos e criada no luxo. Desconhecia o interior dos territórios lupinos, considerados selvagens, atrasados e sem sofisticação nenhuma. Nunca imaginei que terminaria morando em um deles. Ao longe, avistei fêmeas carregando cestos de roupas em direção à beira do rio. Parecia que eu havia retrocedido no tempo. — O que fazem aqui? — a voz de Eric cortou meus pensamentos.






