capitulo 07 Surpresas

Eric

À distância, vi Alina observando tudo com um sorriso suave, como se estivesse encantada com o ambiente. Se eu desconhecesse suas origens, talvez acreditasse naquela encenação.

Uma loba de alto status, acostumada a ter tudo à sua disposição, não se adaptaria tão facilmente… não sem um motivo.

— Estávamos apenas mostrando o lugar, Eric — Axel se apressou em justificar.

— Não queremos que a cunhada se sinta prisioneira — completou Alan, com um sorriso cauteloso, lançando-me um olhar carregado de significado.

— Vocês, em vez de metamorfos lobos, bem que poderiam ser de burros. Olhem para ela — disse, observando Alina, tão pequena e delicada, com a cabeça mal alcançando meu peito. — E ainda assim querem que ela esteja aqui? Ela gosta daqui tanto quanto eu queria uma fêmea permanente, seus tolos.

— Mas o pai disse… — Axel tentou intervir.

— Ele é um velho tolo também. Agora me deixem conversar com ela a sós.

Eles baixaram a cabeça, como meninos pegos de calças curtas. Um sorriso de satisfação se formou em meus lábios enquanto os via sair, lançando-me olhares furiosos. Quando voltei o rosto para Alina, ela já se virava, contemplando o grande rio que cortava o território.

— Não se dê ao trabalho de imaginar fugas, Alina. No Norte, não haverá lobo algum que queira ficar com minha Luna.

Ela baixou o olhar, silenciosa, e se virou lentamente para mim. Por magia ou maldição, seus olhos adquiriram um tom âmbar, traço da loba que habitava sua essência. Seu rosto parecia mais selvagem, mais perigoso… e perigosamente atraente. Por desgraça, meu lobo parecia ansioso por isso.

— Venha, o Rei espera para oficializar nossa união diante da Alcatéia.

No salão, as fêmeas haviam arrumado flores e tecidos com perfeição. Um vestido delicado realçava sua presença. No palco, os anciãos, o Rei Lucien; meu Alfa Supremo Adrian, o Alfa de todos os lobos do Norte, e sua Luna humana Vanessa, aguardavam.

O discurso do Rei sobre amor, confiança e cuidado emocionou várias fêmeas, que não contiveram as lágrimas. Mas Alina? Ela já compreendia que o que acontecera ontem tinha sido um engodo, e que seu corpo ainda carregava meu cheiro.

Alina

Que lobo traiçoeiro… Eric me trouxe antes da assinatura do contrato, diante do Rei, para que todos sentissem seu cheiro em mim. Como um casal já unido, procurei meus pais na primeira fila. Orgulho e alívio encheram meu peito; ao menos o braço de minha mãe já não estava em tipoia, cicatrizado graças à deusa.

Um calor subiu ao assinar o livrodo Rei seguido por Eric. Minha loba se pavoneando que tinhamos um macho forte e viril.

— É um orgulho enfim ver o meu executor acasalado — falou o Rei, orgulhoso.

Meu pai arregalou os olhos.

— O executor?

Ele olhou para Alaor, que fingiu não perceber sua indignação.

— Você não me disse que ele era o executor! Minha filha não ficará aqui.

O burburinho começou no meio dos convidados.

— Chega!-O Supremo falou com seu tom Alfa. Todos os convidados silenciaram.

Eric puxou minha mão e rosnou para meu pai.

— Você fez o contrato com ele, e sua filha já se deitou com ele, talvez até espere um filhote — rosnou o Rei Lucien.

Tentei me afastar, mas Eric me segurou com firmeza, um olhar de advertência que arrepiou minha nuca.

— Alina foi trazida para procriar, não para ser assassinada — declarou meu pai, frio. E o pavor me tomou.

— Ela não será assassinada. Meu filho só extermina a mando do Rei Lucien — rebateu Alaor.

Minha mãe chorava copiosamente, como se eu já estivesse morta diante dela.

— Pois, quando acabar o contrato de três anos, eu a quero de volta do mesmo jeito que chegou aqui — insistiu Alaor, eu já nem tenho certeza se devo chamar esse senhor de pai.

Enquanto discutiam, ouvi a gargalhada de algumas fêmeas próximas. Três filhotes loirinhos, de olhos acinzentados, brincavam despreocupados. Inalei profundamente, sentindo a essência de Eric. Agora tudo fazia sentido: ele não se importava em pôr o sobrenome do meu pai no meu primeiro filhote… desgraçado. Minha humilhação estava completa.

Rosnei, usando minha mão livre, agarrei o cabelo do mais velho e o puxei para perto de mim.

— Quem é o pai desse filhote? — perguntei, mortificada.

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