Andrew
Acordo antes do sol. Meu corpo ainda dói, o peito aperta de um jeito silencioso, mas hoje isso não me incomoda. Aprendi a ignorar o que não posso mudar e a prestar atenção apenas no que importa.
E o que importa está nos braços da mulher mais incrível que já conheci.
Vou até a cozinha devagar, para não acordar ninguém. Coloco água no fogo, preparo café, corto frutas, faço torradas do jeito que Ruby gosta. Nada sofisticado. Só cuidado.
Quando volto para o quarto, a cena me para no meio do caminho.
Ruby dorme de lado, com Dustyn encaixado no peito. A boquinha aberta, a respiração tranquila. O braço dela envolve o corpinho pequeno como se o mundo inteiro pudesse acabar ali fora, mas dentro daquele círculo nada tivesse permissão para entrar.
É ali que tudo faz sentido.
Pego o celular com cuidado e tiro uma foto. Não penso duas vezes. Envio para o meu próprio e-mail e escrevo no assunto:
— “Meu para sempre.”
Deixo o celular de lado, apoio a bandeja na mesinha e me sento na beira da c