Ruby
É domingo. Eu sei antes mesmo de abrir os olhos, porque a casa tem outro ritmo. Não é silêncio, isso já não existe mais desde que Dustyn chegou, mas uma calma diferente, um ar que parece mais leve, como se o mundo tivesse decidido andar devagar só por hoje.
O cheiro me alcança primeiro. Flores. Café recém-passado. Algo assando no forno. Sorrio antes mesmo de me mexer.
Abro os olhos devagar e a primeira coisa que noto é o berço vazio ao lado da cama. Estico a mão para o outro lado e encontro o lençol frio. Andrew já levantou.
Ouço a voz dele vindo da cozinha. Desafinada. Muito desafinada.
— Dorme, dorme, meu pequeno…
Seguro o riso ainda deitada. Levo a mão ao rosto, esfrego os olhos e fico alguns segundos ali, só ouvindo. Ele muda a melodia, inventa palavras, canta como se estivesse num palco invisível.
Levanto devagar, visto um robe leve e sigo o som.
Andrew está na cozinha com Dustyn preso ao peito no sling. Meu filho dorme profundamente, a cabeça apoiada, completamente entregu