Capítulo 70

Astrid

Eu sempre gostei do som de portas fechando. Principalmente quando são portas que alguém acredita estar trancadas para mim.

O consultório do doutor Michael fica em uma rua discreta, onde as luzes dos postes parecem mais fracas de propósito. Não há placa chamativa. Não há recepcionista depois das oito. Só um corredor estreito, um cheiro de álcool e penumbra suficiente para esconder qualquer coisa.

Eu espero o último paciente sair. Vejo o elevador descer. Ouço o clique da porta de vidro. Só então entro.

A chave do alarme? Eu já tinha. Algumas pessoas acham que segredo é muralha. Eu acho que segredo é corda: basta puxar o ponto certo.

Subo as escadas sem pressa. Meu salto não faz barulho porque eu escolhi o sapato certo. Quando chego à porta dele, bato duas vezes, educada. Depois abro.

Michael está recolhendo papéis. Veste o jaleco por cima da camisa social, como se isso o tornasse menos culpado do que é. Ele ergue a cabeça e o rosto perde cor.

— Senhora Laurent… o expediente acabo
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