Andrew
O volante parecia mais pesado do que deveria enquanto eu dirigia de volta para casa. O céu estava cinza, e a cidade parecia ter perdido a cor junto comigo. Eu tinha acabado de sair do antigo cassino de Ethan e, por alguns minutos, ainda sentia o cheiro de fumaça preso na roupa. Não era o cigarro dele que me incomodava. Era o que eu tinha dito.
Eu estou doente.
Eu tinha colocado essas palavras no mundo. Não para Ruby, não para minha família, mas para o homem que mais odeio e mais temo ao mesmo tempo.
Parei no sinal. Minha mão direita apertou o volante, a esquerda foi até o peito sem que eu percebesse. Uma fisgada curta, como um aviso. Eu respirei fundo e soltei devagar, fingindo que era só tensão.
— Aguenta mais um pouco. — falei sozinho, com a voz baixa, como se meu corpo fosse uma criança teimosa.
O celular vibrou no painel. Uma mensagem do meu chefe de segurança.
— “Área limpa. Duas movimentações suspeitas na madrugada. Nada chegou perto.”
Respondi apenas:
— Quero relatório c