Ethan
O copo escapa da minha mão e se espatifa na parede do escritório. O barulho seco ecoa pelo ambiente vazio, mas não é nada comparado ao que continua batendo dentro da minha cabeça desde ontem.
— “Se eu morrer, não deixe Ruby sozinha.”
A voz de Andrew Sinclair não sai de mim. Não importa quanto eu beba. Não importa quantos cigarros eu acenda. Não importa quantas vezes eu tente lembrar de tudo o que eu odeio naquele homem.
Ele me fez um pedido que virou uma sentença.
Eu encaro a arma sobre a mesa. Limpa. Fria. Sempre pronta. Um reflexo fiel de quem eu sou. Ou de quem eu sempre fui.
— Eu devia odiar você. — falo para o nada. — E você me obriga a prometer cuidar da única coisa que me mantém vivo.
A lembrança do beijo ainda está fresca. O jeito como Ruby tremia. O gosto dela. A maneira como me empurrou e, ainda assim, demorou um segundo a mais do que deveria para se afastar.
Esse segundo me condenou.
Passo a mão pelo rosto, sentindo o cansaço pesar nos ossos. Não durmo direito desde a