Astrid
Eu sempre disse que o mundo é movido por duas forças: medo e desejo. E Ruby sempre foi movida pelos dois. Especialmente pelo medo. Medo de mim. Medo de Ethan. Medo do próprio passado.
É por isso que é tão fácil derrubá-la. Tão simples. Tão… prazeroso.
Cruzo as pernas no sofá do meu apartamento enquanto observo, pela terceira vez, a sequência de fotos que consegui com o repórter que monitora Ruby desde que ela voltou para Londres.
Ela aparece entrando em cafés, saindo de lojas, sempre olhando para os lados, como se soubesse que algo ruim estivesse prestes a acontecer. E está.
— O medo deixa as pessoas burras. — digo ao meu assistente, que está em pé, segurando uma prancheta. — E ela… é previsível.
Ele apenas engole seco, acostumado com o meu humor.
Eu pego outra pasta com fotos antigas. Ruby e Ethan. Ruby sorrindo. Ruby com os cabelos ruivos mais bagunçados, em uma das raras vezes em que ele a levou para algum lugar público.
Não é difícil entender porque o Ethan surtou quando e