Cássia sentiu o calor da raiva subir por seu corpo, queimando a mágoa e a tristeza. A voz de Kalel, com sua arrogância velada, era a gota d'água. Ela manteve a frieza no olhar, a postura rígida. Sem dizer uma palavra, virou-se e caminhou até a porta da sala. Abriu-a, a brisa noturna entrando no cômodo, e apontou para fora.
— Vá embora. — A voz dela era baixa, mas carregada de uma autoridade que ele não esperava.
— Eu não posso aceitar o seu dinheiro. E muito menos estar com alguém que foi capaz de mentir tanto assim.
Kalel, com o rosto contraído pela ansiedade e pela bebida, recusou-se a recuar. Ele caminhou até ela, com seus passos pesados.
— Cássia, por favor. Você pode me perdoar. Pode me aceitar. — Ele estendeu a mão, com sua voz suplicante.
— Você mexeu comigo demais, de um modo que nenhuma outra mulher mexeu.
Ele se aproximou ainda mais, a distância entre eles diminuindo perigosamente. Com uma urgência que beirava a agressividade, Kalel a segurou pela cintura, quase à força, e