Mundo de ficçãoIniciar sessãoDepois que a minha irmã morreu, me casei com o marido dela, ocupando o lugar que ela havia deixado na vida dele. Durante cinco anos, cuidei do filho que ela havia dado à luz antes de morrer e vivi como uma dona de casa obediente, inteiramente devotada à família. Até o dia em que fui a uma reunião de pais e professores do Danilo Tavares, de oito anos. Ele me empurrou com força escada abaixo e gritou, para todo mundo ouvir: — Sua vagabunda! Quando a minha mãe ainda estava viva, você já estava seduzindo o meu pai! Agora que ela morreu, você fica aqui pagando de boazinha. Giovana Castro, escuta bem: eu nunca vou deixar o meu pai casar com você! Dá o fora da minha casa enquanto é tempo! As pessoas ao redor começaram a apontar para mim e cochichar, claramente entretidas com o escândalo. Eu ergui os olhos e, em meio a tantos olhares de desprezo e curiosidade mórbida, encarei Danilo. Ele usava a roupa que eu tinha escolhido com cuidado, parecendo um pequeno príncipe, todo cheio de si. Mas, nos olhos desse menino que eu mesma havia criado, só havia desprezo e ódio por mim. Fiquei olhando para ele em silêncio por alguns segundos antes de responder, em um tom tranquilo: — Como você quiser.
Ler maisQuando o Felipe terminou de falar, ele deu dois passos rápidos e agarrou o meu pulso:— Você acha que, só porque tem o Patrick ao seu lado, a sua vida vai ficar em paz? Ele é uma fera. Devora pessoas como se não fossem nada!A força dele era absurda. Eu só sentia o lugar onde ele me segurava latejar de dor.Logo em seguida, o Patrick agarrou o punho dele e falou em tom ríspido:— Solta a mão dela.Por um momento, o ar entre nós ficou carregado, pronto para explodir.O Felipe olhou para mim:— O Danilo chorou a noite inteira ontem. Você vai mesmo virar as costas para ele desse jeito?Era raro o Felipe se colocar num papel de coitado. Mas, mesmo assim, até na hora de se mostrar "frágil", ele continuava com aquele ar de superioridade.— Sr. Felipe, eu já deixei tudo muito claro para o senhor faz tempo.Felipe lançou um olhar sombrio para Patrick, como se acreditasse que Patrick tinha me "mudado".Eu continuei:— Felipe, você é sempre assim, cheio de certeza sobre tudo. Você já pensou, nem
Eu cortei a fala dela:— Ele não é meu filho! Eu não devo nada a nenhum de vocês. Para de tentar me prender com esse papo moralista.Nesse instante, a minha mãe finalmente se desesperou:— Se você não voltar, o Felipe não vai deixar nenhum de nós em paz.Eu olhei bem para ela e falei, pausadamente:— Esses cinco anos foram a forma que eu encontrei de pagar a dívida por vocês terem me colocado no mundo. Aquele dinheiro que transferi para vocês há um mês foi para encerrar, de vez, a nossa relação de mãe e filha.A minha mãe ficou ali, plantada, completamente sem cor no rosto. Aquela quantia não tinha sido pequena, mas ela recebeu como se fosse a coisa mais natural do mundo, sem perguntar o motivo, sem questionar nada.O meu pai soltou um suspiro e puxou de leve o braço dela:— Vamos embora.Ele parecia muito mais velho. Quando eu era criança, tudo o que eu via nele era um homem fraco, que só sabia obedecer à minha mãe. Mas, no fundo, toda a minha tragédia tinha começado por causa dele. E
Danilo tinha saído correndo, todo feliz.Eu fiquei encarando Felipe, completamente na defensiva. Aquele homem sempre tinha aquela postura de quem já tinha tudo calculado.Ele era capaz de qualquer coisa e não tinha medo de nada. Eu nunca conseguia prever até onde ele seria capaz de ir.Felipe deu uma olhada pela floricultura e comentou:— Pelo jeito, esta loja não dá muito dinheiro. A sua renda mesmo ainda vem dos seus quadros, não é?Eu não respondi. Ele também não se irritou. Apenas começou a mexer distraidamente nas rosas vermelhas ao lado.Eu vi quando ele pegou uma delas e, com toda a calma, começou a arrancar os espinhos, um por um, com os dedos.As mãos dele eram impecáveis: longas, claras, bem cuidadas. Por algum motivo, aquilo me deu um arrepio gelado.No fim, o caule da rosa estava todo picotado, cheio de marcas fundas, mas ele segurou a flor com a maior facilidade.Naquele instante, eu me senti exatamente como aquela rosa mutilada.Ele sorriu para mim:— Giovana, se eu der u
Eu peguei o pincel do chão, mantendo a postura fria e distante:— Quanto tempo.Felipe franziu a testa sem perceber, mas Danilo foi mais rápido e soltou a mão dele para correr até mim.— Giovana. — Assim que ele falou, o tom já veio carregada de cobrança. — Cadê o presente de aniversário que você me deve?Ele esticou a mão com toda a certeza do mundo, os olhos cheios de reprovação.Só que, desta vez, eu não passei a mão na cabeça dele. Apenas respondi com calma:— Danilo, eu não devo nada a você.Os olhos dele se arregalaram na mesma hora. Ele pareceu perdido, e as lágrimas subiram rápido, deixando o olhar embaçado.A voz de Danilo veio embargada:— Como assim você não deve? Se não fosse você seduzir o meu pai, a minha mãe não tinha morrido de raiva por sua causa!Então era isso. Durante todos esses anos, tinham sido essas palavras que tinham envenenado a maneira como ele me via.Eu olhei para Felipe, que continuava impassível, e senti um frio se espalhar por dentro.Eu abaixei a cabeç
Último capítulo