Eu apertei o braço que ainda estava sangrando e fiquei olhando para ele em silêncio.A minha visão foi ficando embaçada, como se eu estivesse vendo, de novo, o menino de cinco anos atrás, encolhido num canto, chorando e chamando pela mãe. Fui eu que usei os meus pincéis para animar aquele menino. Segurei a mãozinha dele e ensinei ele a fazer o primeiro desenho da vida dele.Ele tinha dito:— Tia, eu gosto de desenhar! Eu gosto de você.Eu tinha acreditado que seria capaz de cuidar bem dele, que um dia ele iria aprender a gostar de mim. No fim, tudo não passava de ilusão minha.Eu estendi a mão na direção dele e, ignorando o olhar desconfiado que ele me lançou, ajeitei a gola da camisa dele:— Você cresceu. A partir de agora, você precisa cuidar bem de você mesmo.Danilo me olhou, surpreso. O garoto que sempre parecia cheio de espinhos, pronto para atacar, de repente pareceu um pouco inquieto, até inseguro.Antes que ele respondesse, a voz de Felipe veio do corredor:— Danilo, já deu a
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