Fernanda Vasques
Um mês.
Trinta dias arrastando os pés por esse tapete felpudo da cobertura da minha tia Regina, tentando encontrar o fio da meada da minha própria vida. Trinta dias ouvindo o eco do nome "Pietro Cavallini" ressoar no corredor, sentindo o peso do olhar dele toda vez que nos cruzamos no elevador, e ainda assim... o vazio.
Minha mente é um deserto branco. Às vezes, um grão de areia se move — como aquele dia no elevador, quando ele falou da camisa cinza e do "colapso moral". Eu sin