CAPÍTULO 05

— Cara, você é chato pra caralho, o que tá fazendo aqui?

Desço da moto o encarnado.

— Consertando suas merdas, o que acha?

Ele nega levando o cabelo longo pra trás.

— Escuta, a garota não tá fazendo nada de mais, pelo contrário, a gente chegou e ela tinha dado conta da bagunça da noite.

— Ótimo, exploração no trabalho, isso é perfeito não acha?

Ele nega me olhando sério.

— Eu vou falar com ela beleza? Ela não passa a noite aqui hoje.

— Ótimo!

Passo por ele entrando no pub, vejo ela de longe perto da Kely.

— Ele é sem noção mesmo, sabe o que você faz quando esses caras te oferecer algo, manda eles se ferrar.

Kely falava pra ela, as duas agindo como se não tivessem quebrando regras.

E eu sei bem que isso é coisa da Kely, malcon é pau mandado dela.

E isso me deixa puto. Odeio perder o controle.

Caminho até o balcão, a bota batendo pesado no piso.

— Oh, garota. Me serve alguma coisa.

Ela levanta os olhos. Não tem medo, só marra.

— Não estamos abertos, ainda.

— Pra mim essa porra nunca fecha, não é Kely!?

respondo, seco.

A Kely, que sabe quem manda aqui, solta uma risadinha.

— Serve ele, Maya. Relaxa.

Fico ali, parado, observando o jeito que ela se mexe.

Ela é nova demais pra esse ambiente, mas tem um peso nos ombros que eu reconheço de longe. É bicho escaldado.

— Foi promovida? Você é meio nova pra esse balcão, não acha?

provoco, só pra ver o fogo nos olhos dela. Ela ignora.

Caralho, essa tensão me consome, e eu sei exatamente que porra é essa...

E eu gosto dessa adrenalina, de como meu sangue corre perto dela.

— Você entende de bebida. Eu vi ontem.

insisto.

Dessa vez ela para. Me encara de frente.

— Qual é a sua, cara?

Dou um sorriso de lado, sem pressa.

— Só curiosidade.

— Pois eu já vou avisando.

ela diz, a voz fria como gelo.

— Você não faz o meu tipo.

O sorriso na minha cara aumenta. Atrevida.

Não faço seu tipo? Rsrs.. ela que não faz o meu, patricinha do caralho.

Já ia responder a altura, não levo desaforo pra casa, mas o corpo dela trava.

O olhar dela congela na direção da porta, além de mim e ela se encolhe, rápida, instintiva.

— Ai merda...

Ela pragueja.

Sigo a linha dos olhos dela e vejo uma mulher lá fora, inquieta, farejando o ar.

Caralho. Agora a brincadeira ficou séria.

É hoje que eu descubro quem é essa garota.

MAYA

O ar parece sumir dos meus pulmões.

Quando vejo a silhueta dela através do vidro embaçado. Minha mãe. Ela olha em volta, farejando o ar como se sentisse meu medo.

E então, o estômago revira: ele está logo atrás. O desgraçado do meu padrasto.

— Tem certeza que viu ela por aqui?

A voz dela abafada chega até mim.

O pânico é uma descarga elétrica que me trava no lugar.

Eu não devia ter voltado pra cá. Agora ele sabe onde eu estou.

Quando a porta range e ela entra, meus olhos batem direto no homem à minha frente.

O cara da jaqueta. Ele está ali, sólido como uma rocha, observando o movimento com aquele olhar que parece ler até o que eu não digo.

— Algum problema?

a voz dele é um trovão de ironia.

Minha mãe me encontra.

O choque no rosto dela vira uma máscara de autoridade ferida.

Ela caminha até o balcão, ignorando o cara por um segundo.

— O que deu na sua cabeça, Maya? Você não podia ter saído de casa daquele jeito! O que você está fazendo em um lugar como esse!

— Eu não posso falar agora.

sinto minhas mãos tremerem enquanto tento segurar um pano de prato.

— Você vai voltar agora!

ela exige, a voz subindo de tom.

— O que você está fazendo num lugar como esse, a mim não foi suficiente?

Olho por cima do ombro dela.

Ele está lá, com aquele sorrisinho cínico, fingindo preocupação.

— Eu não volto, mãe. Não enquanto esse homem estiver debaixo do nosso teto.

— Maya, por que está agindo assim?

O canalha intervém, fazendo a voz de santo que me dá nojo.

— Eu sempre te dei tudo, sou como um pai pra você. Que ingratidão...

— Cala a porra da boca!

sinto as lágrimas de ódio queimarem.

— Você sabe muito bem o porquê!

Minha mãe me olha com julgamento, como se eu fosse a louca.

— Maya, você está se perdendo... repetindo os mesmos erros que eu. Esse lugar não é pra você. Vem embora.

— Eu volto se ele sair!

grito.

— Escolhe, mãe. Ele ou eu!

O silêncio dela dói mais que um tapa. Ela não escolhe. Ela nunca escolhe. Porque é uma maldita dependente desse monstro.

Enche a cara, alcoólatra, viciada e capota enquanto aquele mostro ficava me olhando...

Mas ele passou dos limites, isso eu não tolero mais. Nunca mais!

— Não fico mais um segundo em baixo do mesmo teto que esse mostro.

O meu padrasto, perdendo a paciência com a minha resistência, avança. Ele segura meu braço com força, os dedos cravando na minha pele.

— Chega de show. Você vem agora!

Meu coração dá um solavanco, sentindo seu aperto. Tento puxar, mas ele é mais forte. É aí que o mundo parece desacelerar.

O cara se move com uma rapidez que eu não esperava para um cara do tamanho dele.

Ele atravessa o espaço entre o balcão e a porta e empurra o peito do meu padrasto com tanta força que o homem cambaleia para trás.

Sua mão me puxa, me jogando para trás da bancada, servindo de escudo a minha frente.

— Ô cara, você não vai pegar ela assim aqui não!

o tom dele é letal, despido de qualquer civilidade.

— Não na minha frente, porra!

Minha mãe recua, assustada.

— Quem é esse homem, Maya? O que você está fazendo com gente assim?

— Ele não é ninguém, mãe! Só vai embora!

peço, sentindo o coração esmagado.

O Malcon e a Kely aparecem na porta lateral, atraídos pela confusão. O olhar do Malcon está sério, avaliando o estrago. Não não...

Se ele me demitir agora, eu viro fumaça.

— Não me faz perder esse emprego, mãe. Por favor.

O meu padrasto, recuperando a audácia, tenta avançar de novo, apontando o dedo pra mim.

— Você vai se arrepender disso, sua garota mimada! Tentando por sua mãe contra mim, eu te dei tudo.

Ele tenta me puxar mais uma vez mais o estalo da mão do homem à minha frente, afastando o braço dele soa como um tiro.

— Já falei, caralho! Não toca nela!

Ele rosna, ficando cara a cara com ele. A tensão é tão palpável que o ar parece que vai pegar fogo.

— É um maldito covarde que b**e em mulher é isso? B**e em mim porra, vamos ver se tu tem culhão!!

Malcon intervém, a voz firme mas calma.

— Já deu. Saiam do meu bar. Agora!

...

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App