Mundo de ficçãoIniciar sessão— Cara, você é chato pra caralho, o que tá fazendo aqui?
Desço da moto o encarnado. — Consertando suas merdas, o que acha? Ele nega levando o cabelo longo pra trás. — Escuta, a garota não tá fazendo nada de mais, pelo contrário, a gente chegou e ela tinha dado conta da bagunça da noite. — Ótimo, exploração no trabalho, isso é perfeito não acha? Ele nega me olhando sério. — Eu vou falar com ela beleza? Ela não passa a noite aqui hoje. — Ótimo! Passo por ele entrando no pub, vejo ela de longe perto da Kely. — Ele é sem noção mesmo, sabe o que você faz quando esses caras te oferecer algo, manda eles se ferrar. Kely falava pra ela, as duas agindo como se não tivessem quebrando regras. E eu sei bem que isso é coisa da Kely, malcon é pau mandado dela. E isso me deixa puto. Odeio perder o controle. Caminho até o balcão, a bota batendo pesado no piso. — Oh, garota. Me serve alguma coisa. Ela levanta os olhos. Não tem medo, só marra. — Não estamos abertos, ainda. — Pra mim essa porra nunca fecha, não é Kely!? respondo, seco. A Kely, que sabe quem manda aqui, solta uma risadinha. — Serve ele, Maya. Relaxa. Fico ali, parado, observando o jeito que ela se mexe. Ela é nova demais pra esse ambiente, mas tem um peso nos ombros que eu reconheço de longe. É bicho escaldado. — Foi promovida? Você é meio nova pra esse balcão, não acha? provoco, só pra ver o fogo nos olhos dela. Ela ignora. Caralho, essa tensão me consome, e eu sei exatamente que porra é essa... E eu gosto dessa adrenalina, de como meu sangue corre perto dela. — Você entende de bebida. Eu vi ontem. insisto. Dessa vez ela para. Me encara de frente. — Qual é a sua, cara? Dou um sorriso de lado, sem pressa. — Só curiosidade. — Pois eu já vou avisando. ela diz, a voz fria como gelo. — Você não faz o meu tipo. O sorriso na minha cara aumenta. Atrevida. Não faço seu tipo? Rsrs.. ela que não faz o meu, patricinha do caralho. Já ia responder a altura, não levo desaforo pra casa, mas o corpo dela trava. O olhar dela congela na direção da porta, além de mim e ela se encolhe, rápida, instintiva. — Ai merda... Ela pragueja. Sigo a linha dos olhos dela e vejo uma mulher lá fora, inquieta, farejando o ar. Caralho. Agora a brincadeira ficou séria. É hoje que eu descubro quem é essa garota. MAYA O ar parece sumir dos meus pulmões. Quando vejo a silhueta dela através do vidro embaçado. Minha mãe. Ela olha em volta, farejando o ar como se sentisse meu medo. E então, o estômago revira: ele está logo atrás. O desgraçado do meu padrasto. — Tem certeza que viu ela por aqui? A voz dela abafada chega até mim. O pânico é uma descarga elétrica que me trava no lugar. Eu não devia ter voltado pra cá. Agora ele sabe onde eu estou. Quando a porta range e ela entra, meus olhos batem direto no homem à minha frente. O cara da jaqueta. Ele está ali, sólido como uma rocha, observando o movimento com aquele olhar que parece ler até o que eu não digo. — Algum problema? a voz dele é um trovão de ironia. Minha mãe me encontra. O choque no rosto dela vira uma máscara de autoridade ferida. Ela caminha até o balcão, ignorando o cara por um segundo. — O que deu na sua cabeça, Maya? Você não podia ter saído de casa daquele jeito! O que você está fazendo em um lugar como esse! — Eu não posso falar agora. sinto minhas mãos tremerem enquanto tento segurar um pano de prato. — Você vai voltar agora! ela exige, a voz subindo de tom. — O que você está fazendo num lugar como esse, a mim não foi suficiente? Olho por cima do ombro dela. Ele está lá, com aquele sorrisinho cínico, fingindo preocupação. — Eu não volto, mãe. Não enquanto esse homem estiver debaixo do nosso teto. — Maya, por que está agindo assim? O canalha intervém, fazendo a voz de santo que me dá nojo. — Eu sempre te dei tudo, sou como um pai pra você. Que ingratidão... — Cala a porra da boca! sinto as lágrimas de ódio queimarem. — Você sabe muito bem o porquê! Minha mãe me olha com julgamento, como se eu fosse a louca. — Maya, você está se perdendo... repetindo os mesmos erros que eu. Esse lugar não é pra você. Vem embora. — Eu volto se ele sair! grito. — Escolhe, mãe. Ele ou eu! O silêncio dela dói mais que um tapa. Ela não escolhe. Ela nunca escolhe. Porque é uma maldita dependente desse monstro. Enche a cara, alcoólatra, viciada e capota enquanto aquele mostro ficava me olhando... Mas ele passou dos limites, isso eu não tolero mais. Nunca mais! — Não fico mais um segundo em baixo do mesmo teto que esse mostro. O meu padrasto, perdendo a paciência com a minha resistência, avança. Ele segura meu braço com força, os dedos cravando na minha pele. — Chega de show. Você vem agora! Meu coração dá um solavanco, sentindo seu aperto. Tento puxar, mas ele é mais forte. É aí que o mundo parece desacelerar. O cara se move com uma rapidez que eu não esperava para um cara do tamanho dele. Ele atravessa o espaço entre o balcão e a porta e empurra o peito do meu padrasto com tanta força que o homem cambaleia para trás. Sua mão me puxa, me jogando para trás da bancada, servindo de escudo a minha frente. — Ô cara, você não vai pegar ela assim aqui não! o tom dele é letal, despido de qualquer civilidade. — Não na minha frente, porra! Minha mãe recua, assustada. — Quem é esse homem, Maya? O que você está fazendo com gente assim? — Ele não é ninguém, mãe! Só vai embora! peço, sentindo o coração esmagado. O Malcon e a Kely aparecem na porta lateral, atraídos pela confusão. O olhar do Malcon está sério, avaliando o estrago. Não não... Se ele me demitir agora, eu viro fumaça. — Não me faz perder esse emprego, mãe. Por favor. O meu padrasto, recuperando a audácia, tenta avançar de novo, apontando o dedo pra mim. — Você vai se arrepender disso, sua garota mimada! Tentando por sua mãe contra mim, eu te dei tudo. Ele tenta me puxar mais uma vez mais o estalo da mão do homem à minha frente, afastando o braço dele soa como um tiro. — Já falei, caralho! Não toca nela! Ele rosna, ficando cara a cara com ele. A tensão é tão palpável que o ar parece que vai pegar fogo. — É um maldito covarde que b**e em mulher é isso? B**e em mim porra, vamos ver se tu tem culhão!! Malcon intervém, a voz firme mas calma. — Já deu. Saiam do meu bar. Agora! ...






