CAPÍTULO 04

OLIVER:

Desci da moto e deixo o motor estalar enquanto esfria. Contorno o bar pelos fundos. A luz fraca escapa pelas brechas da parede. Merda, ela ainda está lá dentro.

Essa garota é um problema ambulante. Atrevida, ousada e, com certeza, vai foder com a minha cabeça, se não der um jeito nisso.

Porque quem vai limpar a sujeita quando tudo der merda sou eu, caramba.

Saco o celular e ligo pro Malcon.

Ela não podia estar ali.

Não é problema nosso.

— Oliver?

— O que ela tá fazendo no pub, malcon!?

— Caralho, você é pior que o Kauan. Ela não tinha pra onde ir, beleza? Eu não ia deixar a garota dormindo na rua.

o infeliz diz no meu ouvido.

— O que queria que eu fizesse? jogasse a garota na rua a essa hora? Ela não tinha pra onde ir.

Passo a mão no rosto.

Ele sabe que eu tô irritado.

— Você vai dar um jeito nisso entendeu? Não posso oferecer um adiantamento e ficar no prejuízo, mas ali ela não pode ficar, você entendeu?

— É só por hoje, cara.

completa, mais pra me convencer do que pra dar satisfação.

— Um dia! Amanhã passo pra verificar isso.

Desligo na cara dele antes que perca a cabeça.

A noite é um lixo.

Volto pro apartamento, pequeno, meu. Jogo a chave na mesinha e tiro a jaqueta, ligando o ar.

Me jogo na cama, soltando o ar pela boca, olhando o teto rústico com luz embutidas.

Porra, eu não era um desalmado, sem a merda do coração. A situação daquela garota me tirava do eixo. E ela mexia comigo, o que só piorava a situação.

Me sirvo de um uísque barato, sentindo o líquido queimar a garganta, mas minha mente continua travada naquela visita ridícula àquela oficina.

Ah caramba, preciso tirar essa merda da cabeça. Uma distração talvez.

Pego o celular.

Tem um contato que eu sei que nunca falha.

"— Tá disponível? Quero você aqui."

Não demora dois minutos e o retorno vem.

"— Na minha ou na sua?"

Um sorriso ladino, malicioso e cheio de perversão cresce em meus lábios.

"— Estou te esperando."

Não demora dez minutos e a campainha toca. Quando abro a porta, ali está ela, Lexa, como sempre... Um perigo de mulher.

nem desperdiço meu tempo com papo furado, ela sabe muito bem o que eu quero é o que veio fazer aqui.

Puxo ela pra dentro pela cintura e colo nossas bocas. É um beijo bruto, com gosto de urgência.

Ela ri contra os meus lábios, aquele sorriso de quem acha que me tem na palma da mão.

— Eu sabia que você ia chamar de novo, Oliver… assume logo que é louco por mim.

Enrolo os dedos no cabelo dela, puxando a nuca com força, sentindo o cheiro do perfume caro que ela usa pra me impressionar.

— Você também não perde uma chance de vir, não é?

provoco, sentindo o corpo dela se moldar ao meu.

— Eu venho e você sabe o porquê.

ela sussurra, arqueando as costas.

— Sou louca por você, seu bruto.

Não perco mais tempo com conversa.

Empurro ela em direção a cama, beijando cada centímetro de pele que o vestido curto deixa exposto.

As roupas vão ficando pelo caminho, jogadas de qualquer jeito no chão de porcelanato. No escuro do quarto, eu tento usar o corpo dela pra apagar a imagem daquela garota do bar.

E eu consigo, por breves momentos... Me afogo naquela mulher como um miserável.

...

O sol começa a entrar pelas frestas da persiana automática. Acordo com o sistema inteligente já moendo os grãos de café na cozinha. O aroma invade o quarto.

Pontual às 6h a casa desperta.

E meus sentidos também.

— Já deu sua hora, lexa. Preciso resolver umas coisas.

digo, sentando na cama e passando a mão pela barba.

Ela se espreguiça, manhosa, tentando ignorar o tom de expulsão.

— Fica aí. Eu posso preparar algo pra gente, tomamos um café juntos, sem pressa…

— Você sabe que isso não rola.

corto, curto e grosso. Levanto e começo a catar minha calça.

— Sem café, sem "juntos", não to afim de se apegar, você sabe.

Ela suspira, a irritação começando a aparecer sob a máscara de sedução.

— Onde eu te encontro de novo?

— Você sabe onde.

respondo, sem olhar pra trás.

Ela se levanta, veste a lingerie com movimentos bruscos e para na minha frente.

Segura meu queixo com força, os dedos cravando na minha barba, e me dá um beijo que é quase uma mordida.

— Você não vale nada, Oliver.

— E você gosta.

dou um sorriso ladino, vendo ela pegar o resto das roupas e bater a porta ao sair.

Finalmente sozinho.

Vou até a varanda, onde a piscina de borda infinita reflete o céu da cidade. Esse lugar é minha fortaleza.

Abro o notebook.

Hora de fazer a engrenagem girar. Entro em contato com os fornecedores de uísque e cerveja, confiro as cargas que chegam à tarde.

Depois, abro a folha de pagamento.

O Malcon queria que eu desse um adiantamento pra garota, mas nem fodendo.

Ela ganha a diária.

Se eu der dinheiro na mão de uma garota que tem cara de quem foge na primeira oportunidade, o prejuízo é meu.

E no fim das contas, quem banca esse lugar sou eu que vou ter que prestar contas com o Kauan.

Passo a mão na barba, sentindo o incômodo voltar. Mando o relatório pro Kauan.

"Relatório de fornecedores e pagamentos enviado. Tudo em ordem."

A resposta vem rápida.

"— Beleza, irmão. E a situação da garota? Malcon me deu um toque."

"—Tô resolvendo do meu jeito. Não esquenta."

Ele logo responde.

"— Confio em você cegamente, Oliver. Faz o que tiver que fazer. Se não acha que ela merece uma chance."

Fecho o notebook e olho pra cidade lá embaixo. Preciso resolver essa parada quanto antes, ou vou ficar pilhado pra caramba.

chego no bar antes de abrir.

Malcon estava na frente, fumando um cigarro em cima da sua moto.

Quando me vê, nega com sua repreensão.

...

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