MAYA Eu corria... Corria com tudo que tinha, trazendo tudo que tenho. Já não aguentava mais aquilo, esconder algo tão feio, que nunca podia ter acontecido. Fugindo, porque era tudo que eu podia fazer agora. Era a única forma de escapar. O ar rasga meus pulmões, as lágrimas embaralham a rua à minha frente, e cada passo parece alto demais para alguém que precisa desaparecer. A mochila pesa nas costas, como se carregasse não só minhas coisas, mas tudo o que eu tentei deixar para trás. Olho para trás, não vejo nada. Mesmo assim, o medo continua ali, colado na pele, me empurrando para frente. Porque eu sei que ele esta atrás de mim. Quando vejo o bar, naquela estrada, não penso. A luz fraca piscando acima da porta parece um convite silencioso. Ou uma última chance. Empurro a porta e entro. O cheiro me invade, madeira, desinfetante recém passado e algo amargo no ar. Não penso, só entro com tudo pra trás da bancada, tinha pessoas ali, umas limpando mesas,
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