CAPÍTULO 03

— O cara disse que a família dela tava preocupada. Mas… sei lá, Kauan. Acho que o Malcon tá trazendo problema. O assunto aqui é ela está lá dentro, malcon tá dando um tiro no pé.

— Malcon é de confiança.

ele responde sem hesitar.

— Se ele decidiu, deixa. Mas acompanha de perto.

Faço um som de concordância.

— Qualquer coisa, me liga.

ele continua.

— Se for isso mesmo… eu pego o caso.

Não é assunto nosso, mas se tá acontecendo, a gente resolve entendeu?

Não é ameaça.

É certeza.

Kauan já viu coisa demais.

Principalmente quando envolve mulher fugindo de alguma coisa que não deixou marcas visíveis.

— E fica frio, qualquer coisa, fala comigo antes.

— Pode deixar!

digo.

— Fico em cima.

Desligo.

Olhando distante enquanto seguro aquele celular.

Não tolero agressor, não mesmo.

E o Kauan sabe muito bem disso.

Porque tínhamos opiniões muito parecidas.

....

À noite, escolho a jaqueta preta. Calça jeans escura.

O tipo de roupa que não chama atenção… mas também não passa despercebida por nenhuma mulher.

Desço do apartamento e subo na moto e deixo a cidade correr sob as rodas.

Quando paro em frente ao pub, o lugar já está funcionando.

Entro. O lugar já começa a encher, o tipo de noite que dá dinheiro… e dor de cabeça.

A vejo antes mesmo de procurar.

A garota.

Ela anda pelo salão recolhendo copos com agilidade, desviando de corpos, de mãos esticadas, de risadas altas.

Se move como quem aprendeu a não ocupar espaço demais.

— Tá vendo?

Malcon aparece ao meu lado.

— Ela é ágil.

Não respondo de imediato. Só observo.

— Ainda acho que você caçou problema pra gente.

digo, por fim.

Ele cruza os braços.

— Já vi muita gente perdida precisando de ajuda...

responde me fazendo olhar pra ele.

— Mas nunca na minha frente sem eu fazer nada.

Aceno leve e vou pra bancada do bar.

Sento ali e Kely vem até mim.

— O mesmo de sempre chefe?

— Pode encher.

Ela sorri e enche o copo.

Voltei a olhar pra garota e Kelly sorriu negando.

— Deixa a garota, ela só precisa de ajuda, não dá sua desconfiança.

Neguei olhando pra ela com olhos pressionados.

— É o que vamos ver.

A noite avança rápido.

O pub lota. Música mais alta. Copos se acumulam. Gente demais. Barulho demais.

— Maya, dá aqui uma força na bancada.

Maya? Então esse era o nome da fujona?

Malcon diz pra ela que assente e vem.

É aí que me vê.

O olhar dela balança por um segundo. Nada escancarado.

Só o suficiente pra eu notar que ela me reconheceu.

Levo o copo à boca sem desviar os olhos. Bebo devagar. Quando termino, ergo o copo num gesto simples.

Ela vem até mim.

Malcon e Kely estão ocupados preparando drinks, virados um pro outro. Ela para à minha frente.

— O que vai querer?

— Vodka.

Ela pega a garrafa sem hesitar.

Enche meu copo, eu até pegaria a garrafa mais preciso sondar mais.

— O cara voltou a te perturbar?

pergunto, direto.

Ela para por um segundo, depois continua o que está fazendo.

Ignora minha pergunta.

— Não vai responder?

— Isso não é da sua conta.

Arqueio a sobrancelha com a resposta curta e direta.

Inclino um pouco a cabeça sentindo o impacto do corte.

— Você chega aqui fugindo de um cara, pede pra ninguém dizer que você tava aqui… e isso não é da minha conta?

me inclino um pouco.

— Você sabe que eu ainda tenho o número dele, né, garota?

Ela vira pra mim, irritada.

— Eu não pedi ajuda a você.

Garota ingrata, é isso?

— Você é só um cliente, eu pedi a ajuda do Malcon. Então fica na sua.

Pressiono os lábios.

Atrevida.

Percebo Malcon por perto, atento, quase se intrometendo, mas faço um gesto discreto com a mão.

Não precisa se meter.

— Posso ser só um cliente.

digo, baixo

— Mas eu podia muito bem ter dito ao cara que você tava aqui.

Ela fecha a cara.

— Deixa minha vida em paz.

dispara.

E se afasta.

Vai atender outro cliente. Depois outro. E mais um.

Observo seus movimentos ágeis, tava na cara que ela já vivia coisa assim, ou não teria tanta praticidade.

Ela é eficiente.

Reconhece bebida pelo gargalo, pela cor, pelo rótulo mal iluminado na adega. Não erra pedido. Não se confunde.

Isso me incomoda.

Malcon cruza o olhar comigo e nega com um sorriso curto, como se dissesse eu te avisei.

Com o bar esvaziando, ela começa a limpar a bancada, guardar garrafas ainda cheias, alinhar copos. Método. Organização.

Fico ali, bebendo devagar, beliscando petiscos enquanto o lugar se esvazia.

— Ei... Enche esse copo, eu ainda tô aqui.

Ela me olha e vai pegar a garrafa, mas malcon trava ela no caminho pegando a garrafa da mão dela.

— Vai atrás da Kely, ela deve tá precisando de ajuda.

Malcon diz pra ela.

Ela assente e some pela porta de acesso, pra dentro do bar.

Ele vem até mim com a garrafa.

— Você vai mesmo deixar ela sem saber quem você é aqui?

Malcon pergunta.

— Vou.

respondo.

— Não faz diferença ela saber o que eu sou. E perde toda a diversão se ela souber.

Ele ri. Um riso estranho. Curto demais.

— Não to afim de acabar com a marra dela agora.

Ele nega com aquele sorriso irónico.

— Não vou dizer nada.

diz.

— Não esperava te ver aqui hoje.

ele continua.

— Kauan mandou eu ficar de olho.

respondo.

— Ele acha que ela tá sofrendo abuso daquele cara.

— Isso tá bem óbvio.

Malcon concorda.

— E, pelo visto, ela não tem pra onde ir.

Tiro o cartão do bolso e coloco sobre a bancada.

— Ainda tô com isso. E se eu ligar pra ele? Só pra saber se a parada da família dela é real?

Malcon fecha a cara.

— Péssima ideia.

Ele empurra o cartão de volta.

— Se fizer isso, entrega a garota.

— Isso pode ser verdade cara, e se ela tiver desaparecida? Fugindo da família?

— Ai, ela deve ter uma boa razão pra fugir da família.

Nego passando a mão no rosto.

— Posso passar isso pra outra pessoa.

Ele me olha intrigado, continuo meu raciocínio.

— Entrego isso ao Kauan, ele localiza o cara fácil. Posso descobrir mais rápido.

— Oh cara... Tá levando isso pro extremo.

Ele balança a cabeça.

— Vamos deixar rolar. A gente nem conhece a garota. Deixa a Kely arrancar isso dela.

— Eu não quero ficar pastorando ninguém.

Resmungo e Malcon olha pra bancada limpa, pras garrafas organizadas.

— Ela não precisa e nem quer isso. Cara, fica de boa, não precisa pastorar ninguém não.

Não.. não preciso mesmo, mas se qualquer parada acontecer aqui, vai sobra pra mim.

A sujeira só quem limpa sou eu.

Ele olha de volta pra bancada.

— Até que ela é eficiente, diferente da última, nessas condições que passou por aqui.

— Última?

Ele sorri.

— Luara.

Neguei aquela comparação.

Ele quer comparar a mina do kauan? Com essa situação? Tá louco...

Me levanto deixando o copo na bancada.

— Já vou indo.

Cumprimento ele e saio.

O vento aqui fora é gelado, vou em direção a minha moto passando a mão na nuca.

Deixei ela do outro lado da pista, estava lotado, não tive onde estacionar direito.

Paro ao lado da moto…

mas não ligo.

Fico ali, parado, encarando o bar.

A frase do Malcon martela.

"Ela não tem pra onde ir."

Vejo os funcionários saírem. Um por um. Vejo Malcon sair com Kely trancando a porta dos fundos.

Mas não vejo a garota.

Meu maxilar trava.

— Que porra…

murmuro.

O que diabos o Malcon tá fazendo?

Tá deixando a garota dormir lá?

...

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