O dia amanheceu claro depois da chuva, com um céu lavado que parecia mais alto. A fazenda respirava diferente — não por milagre, mas por consequência. A terra ainda úmida devolvia cheiro de vida, e o verde, mesmo contido, insistia em aparecer nos cantos.
Isabella sentiu isso antes mesmo de abrir os olhos. Havia um cansaço novo, mais profundo, que não doía — apenas pedia cuidado. Ela se espreguiçou devagar, respeitando o próprio ritmo, e ficou alguns segundos observando o teto, como quem escuta o próprio corpo falar uma língua antiga.
Rafael já estava acordado. Não fazia barulho. Aprendera, com o tempo, a perceber quando o silêncio dela não era ausência, mas processo.
— Bom dia. — ele disse baixo, quando a viu se mexer.
— Bom. — ela respondeu, com um sorriso pequeno — O corpo acordou antes de mim.
Ele riu, aproximando-se para beijá-la na testa.
— Então a gente vai no ritmo dele hoje.
Ela concordou com a cabeça. Aquilo, mais do que cuidado, era parceria.
O café da manhã foi simples. Isa