A chuva finalmente veio durante a madrugada. Não forte, nem demorada — apenas o suficiente para molhar a terra e deixar no ar aquele cheiro antigo de recomeço. Isabella acordou com o som leve das gotas no telhado e permaneceu de olhos fechados por alguns instantes, respirando fundo. Havia algo de profundamente reconfortante naquele som, como se o mundo estivesse confirmando, em silêncio, que ela não estava sozinha.
Rafael dormia ao seu lado, de bruços, um braço jogado sobre o travesseiro. Isabella observou o movimento lento da respiração dele e sentiu uma gratidão calma, dessas que não explodem no peito, mas se espalham devagar, aquecendo tudo.
Levantou-se com cuidado e foi até a janela. A fazenda parecia outra sob a chuva fina. O pasto escurecido, a poeira assentada, as folhas brilhando. A seca ainda existia — ela sabia — mas aquele alívio breve era suficiente para renovar a esperança.
Na cozinha, colocou água para ferver e preparou o café. O enjoo da véspera não voltou, mas ela se m