— Você ficou diferente lá em cima. — Isabella disse, quebrando o silêncio — Não distante… inteiro.
Ele pensou antes de responder.
— Acho que foi a primeira vez que subi num palco sem pedir nada em troca. — disse — Eu só cantei.
— E voltou. — ela completou.
Ele sorriu.
Quando chegaram à fazenda, desligaram o carro e ficaram alguns segundos dentro dele, ouvindo o coro noturno dos grilos, o mugido distante do gado. A casa surgia à frente como um ponto de luz firme no escuro.
— Quer tocar mais um pouco? — Isabella perguntou, olhando para o violão no banco de trás.
— Agora não. — respondeu — Hoje eu já disse tudo.
Entraram. A casa os recebeu com aquele cheiro de madeira, café antigo e roupa limpa. Isabella foi até a cozinha, colocou água para ferver. rRafael largou o violão no canto de sempre, tirou o coturno, sentindo o chão frio sob os pés. Sentaram-se à mesa pequena, frente a frente, as mãos entrelaçadas sobre a madeira marcada pelo tempo.
— Sabe o que mais me deu medo quando chegou o c