O convite chegou num papel simples, dobrado duas vezes, trazido por Tonico no meio da tarde como quem entrega algo sem saber o peso que carrega.
— Dona Isa… — ele disse, coçando a nuca — O pessoal da cidade pediu pra eu entregar isso aqui pro… pro Seu Rafael.
Rafael — Luan Rafael, como poucos ainda o chamavam inteiro — estava no curral, ajudando a fechar uma porteira. Limpou as mãos na calça antes de pegar o envelope. Reconheceu o brasão da prefeitura antes mesmo de abrir. Isabella observava de longe, sentindo um pressentimento antigo se acomodar no peito.
— O que é? — perguntou, quando ele se aproximou.
Rafael abriu o papel com calma excessiva, como se já soubesse o que encontraria ali.
— Festa de São Miguel. — disse — Querem que eu cante na abertura. Praça cheia. Banda. Palco grande. A cidade inteira.
O silêncio que se formou não era de tensão, mas de memória. Aquela mesma festa onde ele cantara pela primeira vez em público. Onde alguém o ouvira e dissera que ele tinha futuro fora d