O dia seguinte amanheceu com um céu aberto demais para prometer qualquer coisa além de trabalho. O azul era limpo, quase exagerado, e o sol subiu rápido, como quem não pede licença. A fazenda respondeu do jeito de sempre: barulhos conhecidos, rotinas retomadas, a vida insistindo em seguir seu curso sem cerimônia.
Isabella acordou com o canto distante de um galo e ficou alguns segundos deitada, assimilando o dia. Já não havia aquela sensação de começo frágil, nem o peso esmagador do luto recente. A saudade continuava ali — permanente, discreta — mas aprendera a caminhar ao lado dela sem tropeçar.
Rafael ainda dormia. O rosto relaxado, a barba por fazer, o braço estendido como se ocupasse o espaço inteiro da cama. Isabella observou por um instante, com uma ternura quieta, e levantou-se. Vestiu-se em silêncio, saiu para a cozinha e colocou água para ferver.
Enquanto o café passava, abriu a janela. O cheiro da terra aquecida subiu junto com a brisa leve da manhã. Havia algo diferente naque