A noite caiu sobre a fazenda com um silêncio quase sagrado. O ar carregava o cheiro de terra úmida e flor de laranjeira. Lá fora, o vento fazia o milharal balançar num ritmo compassado, como se a própria natureza respirasse em paz.
Rafael estava sentado na varanda, o velho violão sobre as pernas e um caderno aberto ao lado, as páginas amassadas e manchadas de terra. Era tarde, mas o sono não vinha. As palavras martelavam dentro dele, pedindo pra nascer.
As últimas semanas haviam sido intensas — o reencontro com Isabella, o retorno à fazenda, a visita do produtor, a decisão de ficar. Tudo o trouxera até ali, naquele exato instante, onde o passado e o futuro se encontravam no fio tênue de uma canção. Ele passou os dedos pelas cordas, sentindo o som ecoar na madeira. Cada nota parecia carregar um pedaço da história deles — os silêncios, os desencontros, as promessas que ficaram no ar.
“O tempo corre, mas o amor resiste, feito raiz que o vento não arranca. No som da chuva, te escuto outra