A noite caiu sobre a fazenda com um silêncio quase sagrado. O ar carregava o cheiro de terra úmida e flor de laranjeira. Lá fora, o vento fazia o milharal balançar num ritmo compassado, como se a própria natureza respirasse em paz.
Rafael estava sentado na varanda, o velho violão sobre as pernas e um caderno aberto ao lado, as páginas amassadas e manchadas de terra. Era tarde, mas o sono não vinha. As palavras martelavam dentro dele, pedindo pra nascer.
As últimas semanas haviam sido intensas —