A manhã começou com uma movimentação diferente dentro da casa. Não havia pressa, mas havia intenção. Isabella ajeitava Clara com um cuidado quase cerimonial, escolhendo um vestidinho claro, simples, confortável — nada que gritasse ocasião especial, mas tudo que dissesse quem elas eram.
Rafael observava da porta do quarto, encostado no batente, segurando o violão como quem leva um amuleto.
— Não precisa caprichar tanto. — ele comentou, sorrindo.
Isabella levantou o olhar, ajeitando o laço no cabelo da filha.
— Não é pra eles. — respondeu — É pra nós.
Clara batia palminhas, animada com a própria imagem refletida no espelho.
— Passear! — anunciou, orgulhosa.
Rafael riu.
— É isso mesmo, filha. Hoje você vai conhecer um pedaço do mundo do papai.
O trajeto até a produtora foi silencioso, mas confortável. Clara dormiu no banco de trás, abraçada ao cavalinho de pano. Isabella observava a cidade pela janela, percebendo detalhes que ainda lhe eram novos: prédios altos demais, ruas que pareciam