A mala estava aberta sobre a cama desde a noite anterior, como se também aguardasse o momento certo. Isabella dobrava as roupas com cuidado, escolhendo peças práticas, leves, pensando no clima de outro estado, nos dias fora, na rotina que precisaria se adaptar outra vez — agora em movimento. Clara observava tudo sentada no tapete, tirando as roupas já dobradas e espalhando de novo, como se quisesse participar à sua maneira.
— Clara… — Isabella fingiu repreender, mas logo sorriu.
— Viajar! — a pequena anunciou, erguendo uma camiseta.
Isabella riu baixo.
— É, filha. Viajar.
Do outro lado do quarto, Rafael afinava o violão. Não por necessidade técnica, mas por costume — aquele gesto que sempre o ajudava a organizar pensamentos. A abertura da turnê aconteceria naquela noite, em outro estado, longe da fazenda, longe de Belo Horizonte, longe de tudo que um dia foi o começo.
— Tá tudo aí? — ele perguntou.
— O essencial. — Isabella respondeu — O resto a gente aprende no caminho.
A viagem come