O terceiro dia começou com chuva fina, dessas que não fazem barulho ao cair, mas mudam o cheiro do mundo. A fazenda amanheceu envolta numa névoa leve, e a terra parecia agradecer em silêncio. Isabella acordou ao som desse novo fundo musical — gotas no telhado, vento contido, o respirar tranquilo de Clara no berço ao lado da cama. Ela se levantou antes de Rafael, caminhando devagar até a janela. Observou o quintal molhado, o curral ainda quieto, as galinhas recolhidas. Tudo parecia em suspensão, como se o tempo tivesse desacelerado só para eles.
Clara despertou pouco depois, chorando baixo, um choro ainda desajeitado, como quem testa a própria voz. Isabella a pegou no colo com naturalidade já aprendida. O corpo ainda reclamava, mas o gesto vinha fácil.
— Calma… mamãe tá aqui. — sussurrou.
Rafael acordou com o som e sentou-se na cama, os olhos ainda pesados de sono, mas atentos.
— Já virou rotina, né? — disse, passando a mão no rosto.
— Tá virando vida. — Isabella respondeu, sorrindo.
E