Mundo ficciónIniciar sesiónQuando Lara Beck consegue um emprego na luxuosa Volkov Art Gallery, acredita que finalmente sua vida está começando a entrar nos trilhos. Rodeada por obras milionárias, leilões exclusivos e a elite mais poderosa da cidade, tudo o que ela precisa fazer é ignorar o olhar intenso e perturbador do homem que comanda aquele império. Lion Volkov é frio, elegante e perigosamente irresistível. Dono de uma das galerias de arte mais prestigiadas do mundo, ele é conhecido por transformar qualquer obra em uma fortuna. Mas por trás dos ternos impecáveis e dos eventos sofisticados, existe um homem cercado por segredos, seguranças armados e negócios obscuros que jamais deveriam vir à tona. Quanto mais Lara se aproxima dele, mais percebe que há algo errado dentro da galeria. Salas proibidas. Leilões secretos. Obras desaparecidas. Colecionadores dispostos a matar para possuir uma única pintura. E então ela descobre a verdade: Lion Volkov não vende apenas arte. Ele negocia poder, mentiras e peças roubadas no mercado clandestino mais perigoso da elite. O problema é que fugir dele talvez seja ainda mais perigoso. Porque Lion não costuma perder aquilo que considera seu. E Lara Beck está prestes a se tornar sua maior obsessão.
Leer másNunca gostei de lugares silenciosos demais.
O silêncio sempre me pareceu perigoso, como se escondesse algo à espreita, aguardando o momento certo para surgir. Talvez por isso minhas mãos estivessem tão frias naquela manhã enquanto eu observava, parada do outro lado da rua, o enorme edifício revestido de vidro fumê que abrigava a Volkov Art Gallery. Mesmo à distância, o prédio parecia intimidante. Elegante. Impecável. Rico. O tipo de lugar onde pessoas como eu entravam apenas para servir vinho em eventos luxuosos ou admirar obras através de vitrines inacessíveis. Ainda assim, ali estava eu, segurando uma pasta simples contra o peito enquanto tentava ignorar o nervosismo sufocante que apertava meu estômago desde o instante em que saí do metrô. Meu primeiro dia. Suspirei discretamente antes de atravessar a rua movimentada, sentindo o salto ecoar sobre a calçada úmida pela chuva da madrugada. O vento frio bagunçou alguns fios do meu cabelo presos às pressas num coque baixo, e precisei respirar fundo outra vez antes de subir os poucos degraus da entrada principal. As portas de vidro se abriram automaticamente. O cheiro de madeira cara, perfume sofisticado e ar-condicionado gelado me atingiu imediatamente. Por alguns segundos, fiquei completamente imóvel. O interior da galeria era absurdamente bonito. Luzes douradas iluminavam paredes brancas impecáveis onde pinturas gigantescas pareciam observar cada pessoa que passava. O piso de mármore refletia os lustres modernos suspensos no teto alto, enquanto funcionários elegantemente vestidos caminhavam em silêncio absoluto pelo enorme salão principal. Tudo ali parecia caro demais para mim. Meu sobretudo simples, comprado em promoção meses atrás, subitamente pareceu inadequado. Apertei a alça da bolsa com mais força. — Posso ajudá-la? — perguntou uma mulher atrás do balcão principal, oferecendo um sorriso treinado. Aproximei-me rapidamente. — Lara Beck. Hoje é meu primeiro dia. Ela digitou algo no computador e imediatamente sua postura mudou, tornando-se mais séria. — Senhorita Beck. Estávamos esperando por você. A forma como ela disse aquilo me causou um leve desconforto, embora eu não soubesse explicar exatamente o motivo. — O senhor Volkov pediu que fosse encaminhada diretamente ao último andar assim que chegasse. Meu coração tropeçou dentro do peito. Diretamente ao dono? Pensei que passaria o dia assinando papéis no setor administrativo como qualquer funcionária comum. — Certo… obrigada. A mulher apenas assentiu educadamente e indicou o corredor à esquerda. — O elevador privativo fica no final do corredor. Privativo. Ótimo. Comecei a caminhar, tentando ignorar a sensação estranha crescendo lentamente dentro de mim. O som dos meus passos parecia alto demais naquele lugar silencioso. Conforme avançava pelo corredor elegante, percebi algo que me deixou inquieta quase imediatamente. Seguranças. Não apenas um ou dois. Havia homens altos vestidos de preto posicionados discretamente em pontos específicos da galeria. Alguns fingiam conversar entre si, outros observavam movimentações próximas às salas fechadas, mas todos pareciam atentos demais para um simples ambiente artístico. Talvez aquele tipo de segurança fosse normal para obras milionárias, pensei. Precisava ser. Continuei andando até encontrar o elevador indicado. Diferente dos outros que havia visto na entrada, aquele possuía portas escuras e acabamento dourado, sem qualquer botão externo além de um pequeno painel eletrônico. Antes que eu pudesse sequer entender como funcionava, um dos seguranças aproximou-se. — Senhorita Beck? Assenti. Ele pressionou um cartão no painel e as portas se abriram imediatamente. — O último andar está esperando pela senhorita. A frase soou estranha. Quase ensaiada. Entrei no elevador tentando ignorar o desconforto crescente. Assim que as portas se fecharam, soltei o ar lentamente. Aquilo era ridículo. Eu estava nervosa por causa de um emprego. Só isso. Nada mais. Observei meu reflexo nas paredes espelhadas do elevador e tentei ajeitar discretamente alguns fios soltos do cabelo. Meus olhos denunciavam claramente a ansiedade acumulada das últimas semanas. Depois de perder meu antigo emprego, tudo havia começado a desmoronar rápido demais. As contas atrasadas. As ligações insistentes do banco. O aluguel quase vencendo outra vez. Conseguir aquela vaga tinha parecido um milagre. A Volkov Art Gallery raramente contratava pessoas sem experiência absurda no mercado artístico internacional. Quando fui chamada para entrevista, achei sinceramente que havia acontecido algum engano. E então conheci o nome por trás de tudo aquilo. Lion Volkov. Mesmo antes de vê-lo pessoalmente, eu já sabia quem ele era. Todos sabiam. Empresário bilionário. Colecionador de arte. Investidor internacional. Dono de uma fortuna praticamente inalcançável. Algumas revistas o chamavam de visionário. Outras, de gênio excêntrico. Mas havia algo curioso sobre Lion Volkov. Quase ninguém sabia realmente alguma coisa sobre ele. Ele não dava entrevistas longas. Não frequentava eventos sociais desnecessários. Não sorria em fotografias. E, ainda assim, exercia uma presença quase obsessiva no mundo da arte. O elevador finalmente parou. As portas se abriram lentamente. E o silêncio do último andar era ainda pior. Engoli em seco antes de sair. O espaço diante de mim parecia mais um museu particular do que um escritório empresarial. Havia esculturas enormes próximas às paredes escuras, quadros antigos protegidos por iluminação específica e janelas gigantescas que revelavam parte da cidade nublada lá abaixo. Tudo impecavelmente organizado. Tudo frio demais. Uma mulher elegante aproximou-se quase imediatamente. — Senhorita Beck? Sou Helena, assistente executiva do senhor Volkov. Seu tom era educado, mas apressado. — Ele está esperando. Outra vez aquela frase. Ele está esperando. Como se minha chegada já estivesse calculada. Acompanhei Helena pelo corredor amplo enquanto tentava controlar o nervosismo absurdo crescendo dentro de mim. — O senhor Volkov prefere discrição absoluta durante o expediente — explicou ela calmamente. — Algumas áreas da galeria são restritas. Você será informada sobre quais setores poderá acessar. Assenti em silêncio. — O senhor Volkov valoriza lealdade acima de qualquer coisa. Aquilo fez meu estômago apertar estranhamente. Antes que eu pudesse responder, Helena parou diante de uma enorme porta preta. Então olhou diretamente para mim. — Uma última coisa, senhorita Beck. — Sim? Ela hesitou por apenas um segundo. — Não faça perguntas sobre assuntos pessoais do senhor Volkov. Meu desconforto aumentou imediatamente. Antes que eu pudesse entender o motivo daquela observação, ela bateu duas vezes na porta. Uma voz masculina respondeu do outro lado. Grave. Calma. Fria. — Entre.Eu demorei mais tempo do que precisava debaixo do chuveiro. Talvez porque aquela fosse a única parte daquela casa sobre a qual eu ainda tivesse algum tipo de controle. A água quente escorria pelos meus ombros enquanto eu permanecia parada, com a testa apoiada contra o azulejo frio, tentando organizar uma mente que parecia completamente quebrada desde o dia anterior. Mas não importava o quanto eu tentasse. Os pensamentos sempre voltavam para ele. Para Lion. Para a galeria. Para os documentos. Para Augusto. Para todas as mentiras e principalmente para a expressão no rosto dele quando eu o confrontei. Aquilo era o que mais me confundia. Porque um mentiroso deveria parecer indiferente quando fosse descoberto. Deveria parecer calculista. Frio. Mas Lion tinha parecido ferido.Como se estivesse assistindo algo importante desmoronar diante dos próprios olhos. Eu fechei os olhos com força. Não queria pensar nele. Não queria sentir nada por ele. E, mesmo assim, era impossível. Quando fina
O quarto parecia menor conforme as horas passavam, ou talvez fosse apenas a presença invisível de Lion em cada detalhe daquela mansão que começava lentamente a sufocar meus pensamentos. O cheiro dele ainda estava nos lençóis. Na camisa preta jogada sobre a poltrona. No ar frio daquele lugar silencioso demais. Eu odiava aquilo. Odiava o fato de que mesmo presa naquela casa, mesmo assustada, mesmo furiosa… meu corpo ainda reagia a ele de forma quase involuntária. Passei as mãos pelo rosto enquanto caminhava inquieta pelo quarto. A chuva tinha começado novamente do lado de fora, batendo contra os enormes vidros das janelas enquanto o céu permanecia escuro e carregado. Eu não fazia ideia de quanto tempo havia passado desde que Lion saiu. Uma hora. Duas. Talvez mais.Só sabia que a sensação de estar presa começava lentamente a se transformar em outra coisa. Ansiedade. Nervosismo. Expectativa. E aquilo me irritava profundamente. Foi então que ouvi passos do lado de fora. Firmes. Calmos.
A primeira coisa que percebi quando despertei foi o silêncio. Não um silêncio comum. Era pesado. Denso. Como se aquele lugar inteiro tivesse sido construído para abafar qualquer som do mundo exterior. Demorei alguns segundos para conseguir abrir os olhos completamente. Minha cabeça latejava de maneira irritante enquanto a memória vinha aos poucos, fragmentada, confusa. O corredor da galeria. As lágrimas. O elevador abrindo. Um dos seguranças de Lion saindo. Então uma mão atrás de mim. E depois… Nada. Sentei devagar na cama sentindo o coração acelerar imediatamente ao perceber que não fazia ideia de onde estava. O quarto era enorme. Luxuoso. Mas estranhamente frio. Tudo ali parecia seguir os mesmos tons escuros: preto, cinza, madeira escura e detalhes minimalistas que deixavam o ambiente sofisticado, porém quase intimidador. As cortinas gigantescas cobriam completamente as janelas, impedindo qualquer noção de horário. Meu peito apertou. Levantei devagar, ainda um pouco tonta, e ca
A manhã chegou cinzenta e silenciosa.Eu mal tinha dormido.Passei a maior parte da madrugada sentada perto da janela do hotel observando a chuva cair sobre a cidade enquanto tentava aceitar que absolutamente tudo na minha vida parecia ter saído do controle em menos de vinte e quatro horas.Lion. A galeria. Os leilões. A polícia. Augusto.Cada vez que eu tentava organizar os pensamentos, parecia pior.Mais pesado.Mais absurdo.A pior parte era perceber que, no fundo, eu não sabia mais em quem confiar.Porque Augusto tinha mentido.Mas Lion…Lion tinha construído praticamente uma vida inteira de mentiras ao meu redor.Levantei da cama lentamente sentindo o corpo pesado de cansaço emocional. Ainda usava uma camiseta larga do hotel e o cabelo estava preso de qualquer jeito depois de uma noite inteira sem conseguir descansar direito.Minha cabeça doía.Meu peito também.Eu estava parada perto da bancada preparando um café horrível da cafeteira do quarto quando ouvi batidas na porta.Meu





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