Capítulo 06

Na manhã seguinte, descobri rapidamente que Helena não havia exagerado quando disse que precisaríamos transportar algumas peças da galeria até a casa de Lion Volkov.

Embora, tecnicamente, “algumas peças” fosse uma maneira absurdamente simples de definir o que estava acontecendo.

As obras já estavam embaladas quando cheguei à área restrita de armazenamento naquela manhã. Grandes caixas de madeira escura preenchiam parte do espaço enquanto funcionários verificavam listas e códigos cuidadosamente registrados em pranchetas digitais.

Eu não sabia exatamente o que havia dentro da maioria daquelas caixas e aquilo parecia proposital.

Algumas estavam completamente lacradas, protegidas por selos especiais e etiquetas numéricas que não revelavam praticamente nada sobre o conteúdo. Outras permaneciam parcialmente abertas, permitindo que pequenos detalhes fossem vistos — molduras douradas antigas, fragmentos de telas protegidas por tecido escuro e esculturas envolvidas cuidadosamente em plástico reforçado.

Consegui reconhecer apenas alguns quadros.

Mesmo assim, nenhum deles parecia comum.

Tudo ali tinha aparência de valer fortunas absurdas.

Mas o mais estranho era que nem eu nem Helena carregávamos absolutamente nada.

Quem fazia aquilo eram os seguranças.

Homens vestidos de preto circulavam silenciosamente pelo depósito, movendo as caixas com atenção quase militar. Nenhum deles conversava desnecessariamente. Nenhum parecia distraído.

Todos estavam atentos demais.

Helena apenas organizava o que seria levado ou não enquanto eu conferia documentos e listas de transporte.

— Essas ficam — disse ela apontando para duas caixas menores. — As demais irão para a residência do senhor Volkov.

Assenti em silêncio enquanto anotava as alterações.

Ainda era estranho ouvir alguém chamar a casa dele de “residência” em vez de simplesmente “casa”.

Mas tudo relacionado a Lion Volkov parecia excessivamente formal.

Excessivamente calculado.

Duas horas depois, eu estava sentada ao lado de Helena dentro de um SUV preto seguindo pelas ruas mais afastadas da cidade enquanto outros veículos escuros nos acompanhavam atrás.

Segurança outra vez.

Claro.

Observei discretamente os carros pelo vidro fumê enquanto tentava ignorar a sensação estranha crescendo dentro de mim.

— O senhor Volkov costuma guardar algumas peças pessoalmente — explicou Helena calmamente sem desviar os olhos da tela do celular. — Principalmente antes de eventos importantes.

— Na própria casa?

— Sim.

Aquilo pareceu estranho.

Mas, honestamente, quase tudo relacionado a Lion já começava a parecer naturalmente estranho dentro da minha cabeça.

Cerca de quarenta minutos depois, o carro começou a desacelerar.

E então eu vi.

Meu Deus.

A propriedade era absurda.

Um enorme portão preto de ferro se erguia diante da estrada cercado por muros altos revestidos por pedra escura. Câmeras estavam posicionadas em vários pontos, discretamente instaladas entre estruturas metálicas quase imperceptíveis.

Assim que os veículos se aproximaram, os portões começaram lentamente a se abrir.

Meu estômago apertou involuntariamente.

Porque aquilo não parecia entrada de casa.

Parecia entrada de fortaleza.

O carro avançou lentamente pela longa estrada cercada por árvores perfeitamente alinhadas até que a mansão finalmente surgiu diante dos meus olhos. E, por alguns segundos, fiquei completamente em silêncio.

A casa era enorme.

Não apenas rica.

Enorme.

A arquitetura misturava modernidade com algo quase aristocrático. Tons escuros de pedra contrastavam com enormes janelas de vidro e detalhes sofisticados espalhados pela fachada.

Mas o que mais chamou minha atenção foi a segurança.

Havia pelo menos quatro homens vestidos de preto caminhando pelo gramado extenso ao redor da propriedade.

Patrulhando.

Observando.

Como se aquilo fosse necessário o tempo inteiro.

Minha mente imediatamente voltou à mesma pergunta:

Os seguranças estavam ali apenas por causa das obras de arte? Ou existia algo muito maior acontecendo?

Descemos do carro pouco depois.

O vento frio atingiu meu rosto enquanto observava melhor a entrada principal da mansão.

A porta era gigantesca.

Feita de madeira escura, pesada, com detalhes entalhados à mão que pareciam antigos demais para serem reais. No centro havia uma enorme peça metálica em formato de cabeça de lobo servindo como batente.

Claro.

Um lobo.

Combinava perfeitamente com Lion Volkov.

Perto da entrada havia mais dois seguranças imóveis como estátuas.

Helena parecia completamente acostumada com aquilo.

Entrou naturalmente assim que a porta foi aberta, enquanto eu a seguia tentando não parecer impressionada demais. E então entrei na casa.

O interior era ainda mais surreal.

A decoração inteira girava em torno de tons bege, cinza e madeira escura. Tudo parecia sofisticado sem esforço, elegante sem exageros.

Parecia casa de alguém perigosamente rico.

Mas também parecia… solitária.

Havia beleza demais ali.

Luxo demais. E vida de menos.

Alguns funcionários organizavam discretamente as caixas trazidas da galeria enquanto Helena analisava uma lista em mãos.

Então ela ergueu os olhos para mim.

— Lara, pode procurar o senhor Volkov? Talvez esteja no andar de cima.

A maneira como ela falou aquilo deixou claro que conhecia bem demais aquela casa.

Assenti rapidamente.

— Claro.

Comecei a caminhar pelo enorme corredor principal observando os detalhes ao redor enquanto subia lentamente as escadas.

A casa inteira parecia um museu particular.

As paredes eram decoradas com pinturas absurdamente belas, algumas tão antigas que pareciam pertencer a outra época. Em determinados corredores, desenhos delicados haviam sido feitos diretamente sobre partes das paredes — traços que lembravam tinta aplicada à mão como uma obra artística cuidadosamente planejada.

Tudo ali parecia escolhido obsessivamente.

Controlado nos mínimos detalhes.

Passei os dedos discretamente pelo corrimão escuro enquanto observava um enorme quadro pendurado próximo ao segundo andar.

Lindo e provavelmente mais caro que todos os lugares onde morei na vida inteira juntos.

Foi então que ouvi um barulho vindo de uma das portas próximas.

Parei imediatamente.

Talvez fosse ele.

Aproximei-me lentamente antes de abrir a porta e quase perdi o ar.

A sala parecia pertencente a um colecionador obcecado.

Quadros antigos preenchiam parte das paredes enquanto esculturas, vasos raríssimos, fotografias antigas e objetos que claramente valiam milhões ocupavam vitrines iluminadas discretamente pelo ambiente.

Aquilo não parecia apenas coleção.

Parecia obsessão.

Caminhei devagar pelo espaço enorme, completamente fascinada.

Havia algo quase hipnotizante naquele lugar.

Então percebi um corredor estreito no fundo da sala.

Curiosa, comecei a segui-lo.

O problema foi que eu não vi o degrau.

Meu pé falhou imediatamente.

— Droga!

Caí de joelhos com força suficiente para arrancar um pequeno som dolorido da minha garganta.

Quando levantei o rosto rapidamente, ainda sentada sobre as próprias pernas, meu cérebro simplesmente parou de funcionar por um segundo.

Lion Volkov estava parado poucos metros à minha frente.

Sem camisa.

Meu Deus.

Ele vestia apenas uma calça jeans preta baixa perigosamente ajustada ao corpo forte enquanto segurava uma toalha escura em uma das mãos. Os cabelos molhados deixavam pequenas gotas escorrerem lentamente por seu pescoço e ombros largos. Ele também tinha uma tatuagem em um dos braços.

E Deus.

O homem parecia esculpido.

O peito firme subia lentamente conforme ele respirava, enquanto músculos definidos percorriam seus braços, abdômen e cintura de maneira quase absurda.

Por alguns segundos, fiquei completamente imóvel.

Porque o pior não era aquilo.

O pior era a maneira como ele estava me olhando.

Os olhos escuros haviam mudado.

A expressão dele também.

Mas eu não consegui decifrar exatamente o que havia ali.

Surpresa?

Interesse?

Diversão?

Lion se aproximou calmamente antes de estender a mão para mim.

— Oi.

Meu rosto queimava.

Segurei sua mão imediatamente para levantar.

E a primeira coisa que percebi foi o calor da pele dele.

Quente.

Firme.

Os dedos longos envolveram minha mão com força suficiente para me puxar facilmente de pé.

Meu coração disparou de maneira completamente irritante.

Assim que fiquei estável outra vez, ele perguntou calmamente:

— O que está fazendo aqui?

Soltei a mão dele rápido demais.

— Helena pediu para procurar você.

Lion continuou me observando.

Então o canto da boca dele se moveu minimamente.

— É a primeira vez que alguém vem atrás de mim de joelhos.

Meu Deus.

— Eu caí — respondi imediatamente. — Não vi o degrau.

O pequeno sorriso dele aumentou quase imperceptivelmente e aquilo foi pior do que se ele tivesse simplesmente rido.

Porque Lion Volkov parecia bonito demais sorrindo.

Mesmo daquele jeito mínimo.

Mesmo daquele jeito perigoso.

Desviei rapidamente o olhar.

— Onde fica a saída?

— Eu vou descer com você.

Antes que eu pudesse responder, ele virou-se calmamente e começou a caminhar na direção oposta da qual entrei.

Segui atrás dele.

Lion abriu uma porta lateral e entramos num enorme closet.

Meu olhar percorreu automaticamente o espaço.

As roupas estavam perfeitamente organizadas em tons escuros: preto, azul marinho, cinza escuro e marrom.

Claro.

Até o guarda-roupa dele parecia intimidador.

Então ele abriu outra porta e saímos diretamente em um quarto gigantesco.

Aquilo definitivamente era o quarto dele.

O tom azul-escuro dominava o ambiente sofisticado enquanto móveis modernos ocupavam o espaço amplo sem exageros. Havia uma enorme cama central, uma lareira elegante próxima à parede lateral e um quadro gigantesco absurdamente bonito pendurado acima de um sofá escuro.

O quarto inteiro parecia silencioso demais.

Como o próprio Lion.

Atravessamos o cômodo rapidamente até outra porta que dava para um corredor enorme. Então finalmente descemos as escadas.

Quando chegamos novamente à sala principal, Helena ergueu os olhos na nossa direção e dessa vez desde que conheci Lion Volkov, tive a sensação perigosa de que estava começando a entrar em lugares da vida dele onde talvez eu jamais devesse estar.

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