A implosão nunca é barulhenta no início.
Ela começa com ruídos quase imperceptíveis — pequenas discordâncias, atrasos mínimos, decisões que deixam de ser automáticas. Para quem observa de fora, tudo parece funcionar. Para quem está dentro, algo já não encaixa.
Lyria reconheceu o sinal no instante em que os relatórios começaram a se contradizer.
Não de forma grosseira. Não com dados falsos. Mas com interpretações diferentes para os mesmos fatos. Aquilo indicava algo mais grave do que erro técnico: indicava ruptura de leitura.
— Eles não estão mais alinhados — disse ela, calmamente, enquanto comparava documentos. — O centro perdeu a capacidade de unificar sentido.
O sistema sempre dependeu disso: uma narrativa única que organizava todas as ações. Quando essa narrativa falha, cada parte começa a operar por autopreservação.
E isso era exatamente o que estava acontecendo.
Os primeiros indícios vieram dos níveis intermediários. Pessoas responsáveis por executar ordens começaram a pedir conf