A luz que explodiu do corpo de Lyria não parecia magia.
Parecia nascimento.
Um nascimento tão violento que rachou o céu, estremeceu a neve e puxou as sombras para perto, como se até elas quisessem testemunhar.
Kael recuou meio passo — não por medo, mas porque o poder dela empurrou tudo ao redor como um vento que não existia.
Elyon não recuou.
Ele segurou o pulso dela, mesmo quando a pele dele queimou com a energia.
Lyria não tremeu.
Ela estava absolutamente imóvel — como se tivesse sido esculpida no centro do caos.
O fragmento ancestral — o pedaço roubado da primeira herdeira — pulsava entre os dedos dela como um pequeno sol feito de escuridão e luz ao mesmo tempo.
A Filha Perdida foi a primeira a entender.
Ela caiu de joelhos.
Não por respeito.
Por instinto.
“Ela…
ela completou o impossível…”
A mãe de Lyria desabou também, lágrimas escorrendo sem pausa.
Kael engoliu seco.
— Lyria…
— O que você fez com o Abismo?
Ela respondeu com calma inumana:
— Eu entrei no coração dele.
— E tirei o