A primeira coisa que Lyria percebe é o silêncio.
Não o silêncio do templo, do vale ou da fortaleza.
É outro tipo.
Um silêncio de lugar que não existe.
Ela abre os olhos.
Não há chão.
Nem céu.
Só um espaço cinza infinito, sem sombra, sem luz de origem.
— Onde eu…?
A voz interrompe:
— Dentro.
Ela vira o corpo.
Uma figura está em pé alguns metros à frente.
Não é sombra.
Não é carne.
É algo no meio.
Um corpo de luz escura, contornos de gente, olhos prateados como os dela, mas com um brilho antigo demais.
Lyria engole seco.
— Você é…
Um sorriso surge na boca da figura.
— O que sobrou de mim.
— Você é o Outro Herdeiro.
— Você é rápida — ele diz. — Isso facilita.
Ela dá um passo para trás.
— Fica longe da minha cabeça.
Ele ri.
— Tarde demais pra isso. A partir do momento em que você abriu o núcleo, o portal parou de me alimentar só com restos. Agora eu sinto você. E você sente a mim.
Lyria estremece.
— Eu não sinto nada além de vontade de sair daqui.
Ele encosta a mão no próprio peito.
— Men