Mundo de ficçãoIniciar sessão
O ar dentro do Midnight Wolf era uma mistura densa de fumaça de charutos , o perfume caro de mulheres que buscavam proteção e o cheiro metálico de perigo iminente. As luzes neon avermelhadas cortavam a penumbra, refletindo-se nos copos de cristal e nas superfícies de mármore do bar. No fundo, em uma poltrona de couro que parecia um trono esculpido em sombras, Aleksei Volkov observava o movimento com o desinteresse de um predador que já domina todo o território. Ele era o Lobo de Kyiv, um homem cujo nome era sussurrado com medo nos becos e com reverência nos corredores do poder. Cada gole de seu uísque envelhecido era acompanhado pelo silêncio absoluto daqueles que o cercavam; ninguém ousava cruzar seu campo de visão sem uma permissão expressa.
De repente, a harmonia sombria do local foi estraçalhada. A porta lateral, usada apenas por funcionários ou para emergências, foi escancarada com um estrondo que fez as taças vibrarem. Yuri Medeiros entrou tropeçando, seus pulmões ardendo como se tivesse engolido brasas. O suor frio escorria por sua têmpora, misturando-se à poeira das ruas de onde acabara de fugir. Ele podia ouvir os gritos abafados dos capangas de Ivan, seu próprio irmão, que o caçavam como a um animal ferido. Ele sabia que, se fosse pego naquela noite, não haveria explicações ou perdão; haveria apenas o fim.
Seus olhos dispararam freneticamente pelo ambiente, buscando uma saída, uma sombra, qualquer coisa que pudesse ocultar sua identidade por tempo suficiente para o rastro esfriar. No balcão de madeira polida, uma peruca ruiva de fios longos e sedosos jazia esquecida, provavelmente deixada por uma das dançarinas que se apresentavam no palco principal. Em um movimento impulsionado pelo puro instinto de sobrevivência, Yuri a pegou e a enfiou na cabeça, tentando esconder os traços masculinos e o cabelo curto sob as mechas escarlates.
Os passos pesados e as vozes rudes dos perseguidores pararam na entrada do bar. Yuri sentiu o sangue gelar. Ele olhou para a poltrona no fundo e viu o homem que exalava uma aura de poder quase sufocante. Sem tempo para raciocinar sobre as consequências, ele correu. Cruzou o salão como um raio ruivo e, antes que Aleksei Volkov pudesse processar a invasão de seu espaço pessoal, Yuri jogou-se em seu colo. Ele envolveu o pescoço do mafioso com braços trêmulos e, fechando os olhos para o mundo, selou seus lábios nos dele em um beijo desesperado.
Os homens de Ivan pararam na soleira, ofegantes, com as armas ainda ocultas sob os casacos. Eles trocaram olhares de pânico ao reconhecerem o homem na poltrona. — Droga... aquela é a mulher do Volkov. Se interrompermos o momento dele, estaremos mortos antes de conseguirmos pedir desculpas. A reputação de Aleksei era sua melhor arma; o medo que ele inspirava serviu como o escudo mais impenetrável que Yuri poderia ter encontrado. Os capangas recuaram rapidamente, batendo a porta atrás de si.
Yuri sentiu o alívio percorrer seu corpo, uma onda de adrenalina que o deixou momentaneamente fraco. Ele tentou se afastar, pretendendo fugir agora que o perigo imediato passara, mas percebeu que as mãos de Aleksei Volkov não estavam lá para empurrá-lo. Em vez disso, as mãos grandes e firmes do mafioso subiram por sua cintura, prendendo-o no lugar com uma força possessiva que o deixou sem ar. O beijo, que começara como um teatro de sobrevivência, foi prolongado por Aleksei com uma intensidade que Yuri nunca havia experimentado. Era um beijo que carregava autoridade, curiosidade e uma promessa sombria. Naquele momento, sob as luzes neon, Yuri percebeu que havia escapado de um inferno apenas para cair no domínio pessoal de um demônio muito mais perigoso.







