Mundo ficciónIniciar sesiónDepois que cheguei em casa, minha cabeça doía. O celular estava repleto de mensagens. Desde quando o Jhey se preocupava tanto comigo? Um novo bip e a mensagem chegou: Dá pra abrir essa porta?
Sorri enquanto jogava o celular em cima do sofá. — O que você tá fazendo aqui? — falei assim que destranquei. — Nossa, bela recepção. O que você tá fazendo? Por que está sumido desse jeito? — Como assim sumindo? Do que você tá falando? — Você tá estranha, acha que não percebi? Você tá me escondendo alguma coisa. — Claro que não, sai dessa. Só problemas demais no trabalho. — Eu trouxe comida — falou enquanto levantava as sacolas com o nome do restaurante da esquina. — Entra aí — falei, escancarando a porta. — Você é uma interesseira, sabia? O riso foi inevitável. — Não sei do que você tá falando. — Eu poderia voltar daqui e te deixar sozinha. — Anda logo, essa comida vai esfriar. Já que você já trouxe, temos que comer. Era só o que faltava. — Não vai mesmo me contar o que está acontecendo? — ele disse enquanto jantávamos. Abaixei a cabeça, sentindo culpa. Eu nunca escondia nada dele. Depois que meus pais morreram, o Jhey foi uma das poucas pessoas que ficou ao meu lado. Nunca mediu esforços para me ajudar. Lembro de cada detalhe do dia em que nos conhecemos, de quando aquele menino de pele clara e cabelos cacheados me estendeu a mão e me ofereceu uma maçã enquanto eu chorava em uma esquina. Ele sempre soube das minhas caçadas, mas nunca soube dos detalhes. Eu não sabia se devia contar para ele. Aquilo poderia colocá-lo em risco. — É melhor você não saber — falei, ciscando a comida. — É coisa do seu trabalho, né? — Eu já disse que não posso contar — falei, dando um leve tapa no ombro dele. — Eu já entendi. Se precisar de alguma coisa, você sabe muito bem que é só falar comigo, né? — Eu sei disso. — Ah, meu pai perguntou quando você vai jantar com a gente. — Diz pro tio que eu não posso esses dias, estou muito atarefada. — Você sabe que não pode viver só pro trabalho, né? — Sei sim, mas você sabe muito bem o porquê disso tudo — disse, abaixando a cabeça. — Mas você já resolveu isso. Pelo que eu soube, o governador era o último, não é isso? Suspirei fundo. — Não era?... — Espera, você descobriu mais alguma coisa que não me contou? Continuei em silêncio. — Não acredito — ele falou, tirando suas próprias conclusões. Eu não podia negar, seria insultar a inteligência dele. — Um novo nome surgiu, Jhey, e na verdade eu ando meio perdida, porque deixei passar algo tão importante. Só que tá muito difícil conseguir me aproximar dele. — Então você já sabe quem é o cara? — Sei sim, só que ele tem várias personalidades, fica difícil me aproximar. — Você achando um obstáculo? Justo você? Que sempre dá um jeito? Tenho coragem de apostar que vai conseguir pegar esse filho da mãe também — falou enquanto comia. — É, vou sim. No outro dia, bem cedo, eu voltei ao mesmo hospital. Esperei por horas, mas ele não apareceu. Será que o filho dele havia ganhado alta? Pensei enquanto dava algumas voltas no corredor. Alguns homens se aproximaram, ambos vestidos de ternos pretos. Saíam do quarto em que eu o vi entrar anteriormente. — Como a gente vai conseguir alguém confiável? — Eu não faço nem ideia, mas você conhece o chefe. Ele não vai aceitar que qualquer pessoa cuide do seu filho. — Disso eu já sei, mas como vamos conseguir alguém bom e tão rápido? — Não sei, não sei. — Eu preciso pensar. Acompanhei-os sorrateiramente, como quem não quer nada. À medida que iam falando, eu ia decidindo meu futuro passo.






