Mundo de ficçãoIniciar sessãoCheguei em casa, atirei a bolsa em cima do sofá com força, depois dei alguns golpes em cima da mesa que ainda tinha alguns papéis espalhados.
Debruçada junto deles, uma lágrima insistiu em escorrer pelo meu rosto, mesmo reprimida. Ergui a cabeça vagarosamente. Havia um peso enorme nas minhas costas, era como se o mundo inteiro estivesse ali. Me senti impotente. Tentei ser forte como nas outras vezes, mas a frustração que me consumia era tão grande que eu me deixei levar. Virei de costas para a mesa, deslizei vagarosamente até encontrar o chão. Feito isso, encolhi minhas pernas até que minhas mãos conseguissem abraçá-las. Com o rosto apoiado nos joelhos, deixei que as lágrimas inundassem meu rosto. O celular tocou na bolsa, mas eu não levantei para atender. Tocou novamente e eu ignorei por completo. Adormeci ali. Mais uma vez o pesadelo de sempre me assombrou. Acordei ensopada de suor, tomei um banho e comecei a andar de um lado para o outro. Por que eu estava me entregando tão facilmente? Aquela era uma boa oportunidade, mas não significava que tudo havia acabado. Sentei-me à mesa com a mesma concentração e determinação de antes, talvez até mais. Feito isso, comecei a examinar as possibilidades. Ele tinha várias personalidades. Era frio e gélido no mundo dos negócios, mas caloroso, terno e gentil na vida pessoal. Mulher sedutora e atraente não tinha influência sobre ele. Não confiava em ninguém, mas bebeu a água que eu lhe dei no hospital. Bati na mesa mais uma vez. O filho era uma forma infalível de ganhar a confiança dele. Pensei em me culpar mais uma vez por ter perdido o emprego de babá, mas aquilo não resolveria. Eu continuaria investigando. Com certeza havia outro jeito. Tinha que haver outro jeito. Passei a noite em claro. Quando o dia amanheceu, peguei minha bolsa, montei na moto e fui para a mansão. Fiquei a alguns metros de distância, apenas observando o que se passava. Por volta das 8 h da manhã, um carro preto saiu pelo portão. Com certeza era ele. Pensei em segui-lo, mas não fiz. Ele poderia me ver, talvez algum de seus homens viesse depois, não poderia ser tão descuidada. Continuei observando a mansão. Não aconteceu nada extraordinário. Já era hora do almoço. Frustrada e pensando que talvez tivesse sido melhor seguir aquele homem em vez de ficar plantada ali, eu caminhei na direção da minha moto e então, vi a ruiva sair no jardim. Ela olhava para o celular e para os lados. Andava apressada, empurrando o carrinho do bebê. Ela tinha a estranha mania de ficar olhando para os lados. Aquilo me incomodava. Talvez fosse despeito por ela ter conseguido o que eu queria. Ignorei a cena e continuei indo em direção à moto. Quando eu já estava a alguns passos de distância, uma van preta chegou de forma apressada e freou bruscamente na frente do portão. O barulho dos pneus acendeu meu alerta instantaneamente. A ruiva alargou os passos e veio de pressa ao encontro da van. O portão da mansão que ficava sempre trancado, não estava. Ela apenas o puxou e saiu com tranquilidade. Um cara encapuzado desceu, abriu a porta e colocou o carrinho do bebê lá dentro. Ela entrou junto, e saíram em alta velocidade. Pisquei várias vezes seguidas. Por que aquele homem estava encapuzado? Por que a van chegou daquela maneira? Onde estavam o monte de seguranças do dia anterior? Eu estava presenciando um sequestro? Talvez fosse coisa da minha cabeça e tivesse uma explicação. Ainda assim, montei na moto o mais rápido que pude e os segui.






