Mundo de ficçãoIniciar sessãoMeu pai teve um problema no coração, conforme o médico e nada havia que pudesse ser feito para salva-lo.
O velório foi feito no dia seguinte, parece que meu pai já tinha deixado tudo pronto para caso esse momento chegasse, então tudo foi muito rápido e simples. Enterramos ele na cripta da nossa família. Minha mãe entrou em uma tristeza muito grande, ela não comia, não saia do quarto para nada e eu comecei a ficar muito preocupada com isso. Eu passei a cuidar das contas da casa e dos negócios da família, meu pai tinha me ensinado tudo o que eu precisava saber para cuidar de tudo quando ele partisse, só não imaginei que seria tão rápido. --Mãe. — bati na porta com o cotovelo, pois estava com as mãos ocupadas.- Posso entrar? --Entra. — ela disse e eu empurrei a porta do quarto. --Como a senhora está hoje, mãe? — eu falei, coloquei a bandeja de comida ao lado da cama dela --Estou melhor, meu anjo. — ela falou para mim.- Pode levar essa comida, não estou com fome. --Mãe, sei que não está com fome, mas precisa comer algo e eu te trouxe comidas leves, nada de mais. — eu falei para ela, pegando uma sopa que eu mesmo tinha preparado.- Espero que goste da sopa, fui eu que fiz. --Então vai estar maravilhoso. — ela sorriu para mim em dias.- Vamos fazer um acordo? --Depende, qual acordo? — eu perguntei. --Eu como toda a comida como uma boa mulher, em troca quero que me prometa uma coisa. --Que coisa, mãe? — eu não estava gostando dessa conversa. --Que se algo acontecer comigo, você vai voltar para a sua verdadeira casa. --A senhora quer que eu volte para Nottigham? — eu perguntei, bem surpresa.- Por quê? --Porque você precisa descobrir o que realmente aconteceu com seus pais biológicos e, além disso, a cidade é seu lar também, é onde você pertence. — ela disse para mim, sorrindo. --Descobrir o que já sei, mãe. — eu disse para ela triste.- Meus pais biológicos estão mortos. --Então me prometa que você vai até lá e vai colocar suas flores favoritas, rosas-pretas, no túmulo deles. — ela disse.- Me prometa. --Eu prometo. — eu disse para ela e peguei a sopa que tinha feito.- Mas agora você vai ter que comer toda essa sopa. E ela comeu tudo sem reclamar, mas enquanto comia ela não parava de olhar para mim, como se quisesse absorver cada parte minha para nunca mais esquecer. Depois deste dia a situação da minha mãe só piorava, era como se ela tivesse desistido de viver. Minha mãe faleceu uma semana depois disso e eu fiquei com tudo que pertencia aos meus pais, incluído o título de condessa e toda a herança. Eu tinha meu padrinho que me apoiava muito, apesar disso eu me sentia tão sozinha. Perder meus pais foi muito duro e somente agora, um mês depois de tudo, eu ainda estava de luto, sentido muito a falta dele. --Você não pode continuar assim, Hope. — meu padrinho disse para mim.- Você precisa sair dessa casa. Viver sua própria vida agora. --Eu saio, vou até o jardim. — eu disse bebendo o chá. --Você vai até o jardim, pega as flores que sua mãe tanto gostava e volta para casa. — ele me disse sério.- Isso não é sair de casa. --E o que quer que eu faça, padrinho? — disse colocando a xícara na mesa.- Tenho uma enorme propriedade para gerenciar e muitos servos para cuidar, não posso simplesmente fazer uma viagem para algum lugar. --Sim, você pode deixar este lugar. — ele disse segurando minha mão.- E eu posso encontrar alguém para cuidar dos seus bens e das propriedades de sua família. Além disso você tem uma promessa a sua mãe para cumprir. --Do que é que você está falando? — eu perguntei para ele. --Não finja que não sabe do que eu estou falando. Eu te conheço bem o suficiente para saber que andou pensando nesse assunto ultimamente, Hope. --Eu não vou voltar para Nottigham. Não há mais nada lá para mim. Meus pais morreram. Não quero ter que me lembrar de algo que jamais terei. --Mas pode reconstruir o legado de seu pai. — ele disse e não entendi o que ele queria dizer.- Descobri que a casa e as terras que pertenceram a seu pai e a toda família Loxley está a venda. Pegue um pouco do dinheiro dos seus pais e compre tudo de volta. Não precisam saber quem você realmente é, pode utilizar o sobrenome da família Prime. --Você acha que eu tenho que voltar para casa e reconquistar aquilo que é meu? — perguntei, me levantando e andando pela sala. --Sim, eu acho que você deve voltar e seu pai iria querer que a filha dele pudesse estar na casa onde ele cresceu e foi tão feliz. Está na hora da Pequena Hood voltar para sua casa. Para seu povo. --Mas e a fazenda? — eu perguntei me virando para ele. --Vou cuidar dela, até encontrar alguém que possa cuidar de tudo e seja confiável para este cargo. --Obrigada por isso, padrinho. — eu abracei ele com muita força.- Mas me prometa que quando tudo estiver resolvido, você vai se encontrar comigo, eu não consigo ficar lá sem você. --Você não tem ideia do que consegue fazer. — ele disse, secando minhas lágrimas, e eu nem tinha percebido estar chorando.- Você é mais corajosa e forte do que pode imaginar. --Então está bem, vou atrás daquilo que é meu por direito. — disse sorrindo, uma coisa que não fazia há muito tempo, desde a morte de meus pais.- Eu parto assim que for possível. E foi assim que eu tomei a decisão de voltar para minha amada cidade. Nottigham tirou tudo de mim e agora é a minha vez de tirar tudo dela, ou pelo menos aquilo que é meu por direito.






