Mundo de ficçãoIniciar sessãoNo dia seguinte, eu comecei os preparativos para a reforma da mansão. Ia dar muito trabalho e para começar eu precisava de um arquiteto e por sorte a cidade tinha um bem renomado.
Conversei com ele e elaborei com a ajuda dele o projeto perfeito. A mansão da minha família ia ficar muito mais bonita que a do Xerife. Comecei a procurar pessoas para fazer a parte difícil do trabalho, ou seja, a mão de obra. Todas as pessoas na cidade já tinham um trabalho, até mesmo os mais jovens. Mas a Senhora Johnson, dona da hospedagem onde eu estava ficando, me disse que eu podia contratar pessoas na mina e eu realmente achei ótima essa ideia. Então pedi para um homem contratar mão de obra nas minas, pois eu estava com o tempo corrido demais para ir até lá. No dia seguinte, bem cedo, eu tinha 80 homens que estavam dispostos a trabalhar na mansão. --Bom dia a todos. — falei para eles.- Meu nome é Hope Prime e eu sou a dona da mansão e do terreno. Acredito que já foram informados do que precisam fazer aqui. --Sim, senhora. — um dos homens respondeu.- Queremos apenas saber da senhora o que vamos receber de ração? --Desculpe, ração? — perguntei, sem entender bem. --Sim. A senhora vai nos pagar com comida? Não é? — ele perguntou e pude sentir a preocupação em sua voz. --Qual seu nome, senhor? — perguntei chegando mais perto dele. --James. Dylan James. — ele respondeu olhando para o chão. --Posso te chamar apenas de Dylan? — perguntei para ele e ele concordou.- Vou fazer melhor que isso, Dylan. Vou pagar vocês em dinheiro, o que acham? --Isso é maravilhoso. — Dylan disse com um sorriso de olheira a olheira.- Nós iremos adorar. — ele olhou para os outros que concordaram. --Que bom. — eu respondi.- Pagarei vocês ao final de todas as semanas. Eu estava pensando aqui, não poderei estar aqui todos os dias e precisarei de alguém de confiança para ficar de olho nas obras. Será que você pode fazer isso para mim, Dylan? --Você quer que eu seja chefe dos operários e cuide das obras? — ele perguntou surpreso. --Acha que não dá conta? --Não é isso, senhorita, apenas que nunca ninguém confiou em mim para algo assim, apenas fiquei surpreso. --Entendo. — falei.- Dylan você entende algo sobre reformas ou construções? --Sim, senhorita. — ele respondeu com muita certeza.- Mesmo não tendo estudado engenharia nem arquitetura, entendo muito de construções. Meu pai era um grande construtor. --Então você é a pessoa perfeita para me ajudar. Mas será que os outros acham errado eu escolher você? — olhei para os outros homens e eles responderam que não eram contra.- Então, está decidido, você irá se reportar a mim e os outros iram se reportar a você. --Claro, senhorita. Irei deixar tudo muito bem organizado. --Que bom. Mas por favor me chame apenas de Hope, todos vocês, não precisa de tanta formalidade. — falei.- Dylan procure o arquiteto e comece a organizar os postos de trabalho. Também faça uma lista de todo o material que vão utilizar e leve para mim na pousada, acha que consegue me levar essa lista no final do dia? --Sim sen...Hope. — ele disse todo sorridente. --Que maravilha. Irei te esperar, mas agora tenho umas coisas para resolver. Vejo todos amanhã bem cedo. Dei uma última olhada nos operários e vi que eles logo começaram a trabalhar. Montei no meu cavalo e voltei para a cidade. Não é que eu tivesse algo para fazer, porém, minha menstruação tinha chegado e sempre que isso acontecia, eu ficava muito enjoada e com uma grande dor de cabeça. Não estava nada bem. Voltei para a pousada e me joguei na cama, não queria ver ninguém, só me levantei de lá para comer algo no horário do almoço. No fim da tarde, a Senhora Johnson veio me avisar que Dylan queria falar comigo, então desci até a entrada da pousada. --Você é realmente muito eficiente, Dylan. — falei assim que vi ele. --Agradeço por isso, Hope. — ele me entregou um pedaço de papel.- Aqui está a lista que você pediu. --Ótimo. — dei uma olhada na lista.- E você já organizou os postos de trabalho? --Sim. Cada um já sabe o seu lugar e já começaram a fazer algumas coisas, as que eram possíveis sem esses materiais. --Muito bem e desculpe por não ter ficado lá, eu não estava me sentindo muito bem. --Não há problema. — ele disse e percebi estar um pouco apressado.- Se não precisa de mais nada, preciso voltar, está ficando tarde e se me pegam fora das minhas serei castigado. --Mas amanhã bem cedo esteja aqui. — falei para ele.- Preciso da sua ajuda para comprar esses materiais e suprimentos. --Estarei aqui antes mesmo de você acordar. — ele sorriu e me pareceu bem empolgado com a notícia. --Também não precisa exagerar tanto, só esteja aqui cedo. --É claro. Boa noite! --Boa noite. Ele foi embora e eu estava me virando para entrar na pousada de novo quando uma voz disse meu nome. --Falando com a ralé, Hope? — Noah perguntou e eu me virei. --Não. — falei para ele.- Estava falando com o meu operário. Não chamo ninguém de ralé só porque tem uma posição mais baixa que a minha. Não sou tão esnobe assim. --Mas é bem atrevida. — ele disse, chegando mais perto de mim.- Não deveria ter mais respeito para quando falar comigo? --Não. Eu realmente não deveria. — também me aproximei para deixar bem claro que não tinha medo dele.- Só porque você é filho do Xerife não significa que tenha que ser um completo idiota e mesquinho. Se quer meu respeito vai ter que conquista-lo. Não esperei ele responder, entrei na pousada e fui para o meu quarto. Que garoto mais irritante. Dormi feito um anjo e no dia seguinte estava bem melhor. Levantei-me e fui tomar um café matinal reforçado, eu não sabia que horas iria conseguir comer, nem se iria conseguir. E na hora marcada, Dylan estava me esperando nas portas da pousada. Ele me parecia cansado, mas feliz. --Bom dia, Dylan. — falei sorrindo e saindo. --Bom dia, senhorita. — ele respondeu. --Você não vai parar de me chamar de senhorita, não é? — perguntei e ele concordou comigo.- Esta bem, você pode me chamar assim, se isso te deixa mais confortável. Então por onde podemos começar? --Que tal começarmos com as ferramentas para os operários. — falou ele para mim.- Depois os materiais para a construção. O que a senhorita acha? --Você é o especialista. — respondi andando ao lado dele.- Onde você disser para irmos, eu vou, nesse momento você está no comando. Ele riu do que eu disse e começamos a ir nos lugares aonde ele indicava e tenho que dizer que Dylan me surpreendeu bastante. Ele é um grande negociador e conseguiu ótimos preços para mim. Paguei bem mais barato no que precisávamos do que eu poderia imaginar. Levamos a manhã toda para conseguirmos comprar tudo o que precisávamos e depois levamos para a mansão. Claro, precisamos alugar uma carroça para conseguir levar tudo até lá, mas valeu a pena. Quando chegamos os empregados ficaram muito felizes por finalmente poderem começar a trabalhar. --Dylan, você conseguiu alimentos para todos? — perguntei depois que tudo já estava em seu devido lugar.- Não quero ninguém passando mal aqui? --Sim, senhorita. — falou ele.- Fiz exatamente como mandou? E todos já comeram, mas parece que você não comeu nada. Está com fome? --Na verdade, estou faminta. Será que sobrou algo do almoço dos operários? --A Senhorita vai comer a mesma comida que nós? — seu tom de voz demonstrava surpresa. --Vou. Por quê? Tem algum problema? --Não. Mas é que é estranho uma Condessa comer esse tipo de coisa. — ele estava sendo sincero comigo.- Na verdade, a Senhorita nem parece uma Condessa. --Posso ter esse título, Dylan. — falei, sorrindo para ele.- Mas desde muito pequena fui criada entre os empregados. Eu comia entre eles. Meus pais diziam que esse era o melhor jeito de se tornar uma grande líder ou uma grande administradora. --Seus pais são pessoas sábias. — ele disse pegando um pouco de pão e água para mim. --Eles eram mesmo. — respondi, ficando meio triste.- Pena que partiram tão cedo. --Sinto muito por isso. Mas eles criaram uma filha linda, honrada e corajosa. Se eles te vissem hoje, ficariam muito orgulhosos. --Agradeço por ouvir isso, é reconfortante. — respondi comendo o pão.- Dylan será que posso te pedir um favor? --É claro que pode. — ele respondeu também comendo.- Agora eu não sei se poderei realizá-lo, mas vou tentar. --Será que você pode me levar até às minas? — eu pedi e ele fez uma expressão de que não entendeu. --Por que a Senhorita quer ir até lá? — ele perguntou curioso.- Não tem nada lá para a Senhorita. --Não estou indo até lá para me divertir nem nada disso. — respondi séria para que ele entendesse que não era brincadeira.- Quero ver onde vocês moram, como trabalham. Melhor, quero entender como vivem ou será que devo dizer, sobrevivem. --A Senhorita tem certeza disso? — ele perguntou ainda desconfiado. --Sim eu tenho. Você pode me levar até lá? --Eu posso, mas tem que ser no domingo, é melhor para mim. — ele respondeu. --Claro que sim. Não quero prejudicá-lo de jeito nenhum. Não importa se vai demorar, eu vou esperar, mesmo que minha curiosidade esteja me matando. --Se é assim, então no domingo te levarei até lá. --É só me dizer a hora que estarei pronta. --Vou ver a melhor hora e até o final da semana te aviso. --Obrigada por isso, Dylan. Vou ficar te devendo uma. --A Senhorita não me deve nada. Fico feliz em te ajudar. --Fico grata por ouvir isso, mas se precisar de qualquer coisa me diga e eu te ajudarei. --Sim, Senhorita. — ele se levantou.- Agora preciso ir trabalhar. --Bom trabalho, Dylan. Ele fez uma pequena reverência e saiu. Terminei de comer meu pão e fui dar uma volta pela mansão para pensar um pouco nas coisas. Se tudo der certo, domingo irei descobrir se o que o Xerife disse sobre meus pais biológicos é verdade. E se fosse verdade, iria ver meus pais pela primeira vez na vida. Mas é claro que eles não poderiam saber quem eu sou, pelo menos não por enquanto, mas um dia talvez.






