Capitulo 3

    Os preparativos para a minha viagem ficaram prontas em três semanas e eu já estava dentro de um navio indo para o litoral de Londres, de lá seguiria para Nottigham em uma carruagem.

    Meu padrinho já tinha enviado uma carta em meu nome dizendo que eu estava interessada na compra da casa e do território. 

    --Vai com Deus, minha afilhada linda. — John disse para mim antes do navio partir. 

     --E você padrinho fique com ele e por favor, tome cuidado. — falei para ele chorando.- Me prometa que quando tudo estiver organizado por aqui o senhor vai me encontrar.

    --Eu prometo que vou, sim, mas por enquanto, você tem que trilhar seu próprio caminho, minha querida. — ele disse para mim.

    --Tenho tanto medo de seguir sozinha. Não sei o que fazer sem meus pais ou o senhor. — eu disse, agora chorando.

    --Você é corajosa, esperta e inteligente, vai saber tomar as próprias decisões, mas precisa decolar sozinha, para poder descobrir quem você realmente é e quem deseja ser até seu último dia de vida. 

    --Obrigada pelo conselho, o senhor é como um terceiro pai para mim. — eu disse para ele.

     --E você é uma filha para mim, jamais se esqueça disso. — ele disse secando minhas lágrimas.- Agora vá ou vai perder seu navio.

    Eu subi no meu navio e ele partiu. Foi difícil deixar a única terra que eu conheci. Foi difícil deixar minha casa, mas principalmente, deixar meu padrinho, meu último familiar vivo. 

     Agora uma nova jornada se iniciava para mim, eu estava voltado para a cidade onde eu nasci, estava voltando para casa. 

    Levei um mês inteiro para chegar em Londres e quando o navio parou, uma carruagem no porto já estava me esperando para me levar até Nottigham.

   Minha bagagem foi colocada na carruagem e eu entrei. Levou dois dias inteiros para chegar na cidade, mas assim que avistei os muros senti um misto de sentimentos entre felicidade e tristeza. Realidade e nostalgia. Muita saudade. 

    Tenho que dizer que Nottigham é uma cidade muito protegida e isso ninguém podia negar, mas quando se passava os muros e entrava na cidade se via a grande diferença entre a população. 

    De um lado da ponte estava os lordes e pessoas ricas que tinha tudo do bom e do melhor e do outro lado se unha o povo que trabalhava nas minas e passava fome, era muita pobreza. 

    A carruagem me levou até uma pousada que ficava do lado rico da cidade. 

    Um garoto que deveria ter uns 12 ou 13 anos pegou minha bagagem e levou para dentro da pousada. 

    --Boa tarde, senhorita. — uma mulher me cumprimentou.- Desculpe, qual o seu nome?

    --Hope Prime. — eu disse para ela.- Meu padrinho agendou um quarto para mim.

    --Sim, seu quarto é o principal, mas preciso saber quanto tempo irá ficar? — a mulher perguntou com uma gentileza. 

    --Não sei quanto tempo vou ficar, mas garanto que não será pouco tempo, mas eu pago muito bem pelo hospedagem. — eu disse para ela com um sorriso falso.

    --Isso é algo maravilhoso. De que cidade você veio?

    --Lyon na França. — eu respondi.- Mais alguma pergunta?

   --Você é solteira? — ela disse e essa pergunta me incomodou bastante.

    --Não que seja da sua conta, mas sim, eu sou solteira e caso queira espalhar para as fofoqueiras de plantão, não tenho nem namorado. — respondi bem seca.- Agora pode me dar a chave do meu quarto e pedir para alguém levar minhas bagagens lá para cima o mais rápido possível?

    --Desculpe Senhorita, não quis ser intrometida. — ela disse, baixando a cabeça.- Está aqui sua chave e em breve suas coisas estarão no seu quarto.

    --Agradeço por isso e por sua gentileza. — eu peguei a chave da mão dela.

    Subi as escadas até o andar onde iria ficar e encontrei meu quarto. Meu padrinho tinha arrasado na escolha de quarto, ele era grande e bem arejado.

    Minhas bagagens chegaram alguns minutos depois e eu resolvi tomar um banho bem relaxante, pois eu estava muito suja e muito cansada da viagem. 

    Depois que sai do banho, percebi que  já tinha escurecido, então vesti minha roupa e fui dormir, pois estava muito cansada. 

  Dormir a noite toda como uma pedra e quando acordei o sol já estava alto no céu. Me troquei colocando um vestido de cavalgar mais confortável que eu trouxe.

    Desci e passei direto pela mulher e não disse nem bom dia. Encontrei um lugar onde poderia tomar um bom café da manhã. 

    Depois fui andar pela parte rica da cidade para me inteirar dos lugares, do ambiente e principalmente das pessoas. 

    Aluguei um cavalo e por informações descobri onde morava o homem que estava vendendo a casa e o terreno que pertenciam a minha família. 

    --Sr Rym? — chamei um homem que estava na frente de uma loja de ferramentas.

    --Sim. — ele disse me olhando.- Quem deseja?

    --Meu nome é Condessa Hope Prime e estou aqui para negociar a compra do terreno dos Loxley. — falei e depois desmontei do meu cavalo.

   --Nossa. — ele disse bem surpreso.

    --Fiz algo errado. — perguntei, pois não entendia a surpresa dele.

    --Não imaginava que a Senhorita fosse tão jovem. — ele disse.- Imaginava alguém muito mais velha. 

    --Por acaso minha idade vai impedir  que possamos negociar a compra? — perguntei, a mais séria que eu podia.

    --Não, não vai impedir. Você que ver o terreno? 

    --Não preciso. Quero apenas negociar o preço. Quanto o Senhor quer pelas terras?

     --5 mil em siclos de ouro? — ele pediu e era muito dinheiro. 

    --Você quer apenas isso ou algo mais? — perguntei para ele.

    --Isso é suficiente, pelo menos pelo estado da casa. — ele respondeu.

    --Me mostre a casa e o terreno. Quero ter certeza que você não está me enganando ou me roubando. 

    --Jamais faria isso com uma senhorita tão gentil. — ele disse.

    --E uma que tem dinheiro. — eu respondi.- Vamos parar de enrolação e me mostre tudo.

   --É claro que sim, senhorita. Por favor, venha comigo. 

    Ele me levou morro a cima, seguindo a mesma rua onde estávamos. A casa de minha família ficava no topo do morro, era um terreno muito amplo e com uma vista espetacular de tirar o fôlego. 

     A casa estava caindo aos pedaços de tão velha e o terro estava coberto de grama, mas tudo isso tinha solução e eu iria trazer glória para aquele lugar. 

    --Não preciso ver mais nada. — falei para o homem depois que ele me mostrou um pouco do terreno.- Eu fico com a casa. Na verdade, eu fico com tudo. 

   --A Senhorita tem certeza disso? — ele perguntou duvidando de mim.

    --Sim. — eu respondi montando no cavalo para retornar a cidade.- Hoje por volta das 8h da noite venha até pousada no centro da cidade com a escritura da casa e do terreno, se você se atrasar mais de 10 minutos vou pagar apenas a metade do valor. 

   --Como desejar. — falou ele.- Estarei lá na hora, não irei me atrasar.

   --Espero mesmo. Odeio ficar esperando homens. 

   Dei meia volta com o cavalo e desci o morro de volta para a cidade. Deixei o cavalo na pousada e fui andar pela cidade, tinha trazido algumas roupas para o inverno e algumas para o verão, que era a estação que estávamos, mas nenhuma para cavalgar a não ser aquela que estava usando. 

    Procurei por uma loja de roupas e encontrei uma que parecia ser perfeita. 

    A dona da loja, Senhora Flowers, era uma senhora de quase 60 anos e me acolheu muito bem. Confesso que gostei dela e de sua loja, decidi que somente iria comprar roupas e sapatos ali. 

     Achei as roupas e os sapatos perfeitos ali mesmo e o preço estava razoável. Senhora Flowers se ofereceu para pedir que um menino levasse as minhas coisas até a pousada e mesmo não gostando de ver aquele menino trabalho, tive que aceitar, pois ainda tinha coisas para fazer na rua. 

    Paguei as comprar e dei um pouco de dinheiro ao menino pela minha ajuda e saí da loja. 

    Estava andando quando vi algo que me fez surtar um pouco. Nottigham tinha uma livraria e é claro que eu entrei, não tinha conseguido trazer nada para ler na mala. Já estava ficando meio triste sem poder ler nada. 

    O dono da loja, Senhor Homes, era um homem nem um pouco simpático e parecia estar sempre de mau-humor. Ele ficou surpreso quando disse querer comprar um livro, pois ele disse para mim que nessa cidade nenhuma mulher se interessava por leitura. 

    Comprei o livro que queria e deixei a loja. Estava tão distraída andando e olhando o livro nas suas primeiras páginas que esbarrei em alguém indo parar direto no chão. 

    --Olha por onde anda seu... — a pessoa não terminou o que tinha para dizer.- Perdão, Senhorita, não vi que a senhorita estava passando.

   --E pelo jeito com o empurrão perdeu os modos também. — disse olhando para ele pela primeira vez e quase fiquei sem ar ao ver tamanha beleza.

   --Perdão por isso também. — ele disse me ajudando a levantar.- Achei que fosse um garoto que eu estava tentando achar, mas você está certa, não é certo ser mal-educado com ninguém. 

    --Obrigada por me ajudar a levantar. — falei limpando meu vestido.- Onde eu deixei cair meu livro?

    --Esta bem aqui. — ele me entregou o livro.- Leitura Interessante.  Homero é um grande escritor. 

    --Nunca li, vou ter a minha primeira experiência com esse autor. — eu disse olhando em volta.- Agradeço pela ajuda e desculpa por esbarrar em você, mas eu tenho que ir para a pousada onde estou ficando.

    --Está de passagem? — ele perguntou.

    --Não. — falei para ele, mesmo que não fosse da conta dele.- Vou morar aqui, mas ainda tenho que fazer algumas reformas na casa aonde vou me mudar.

   --Entendi. — falou ele.- É melhor deixar você ir, parece que está ocupada.

   --E estou mesmo. — falei para ele.

   --Espero que possamos nos ver novamente. — ele pegou minha mão e deu um beijo nela.

   --Não acredito muito nisso, mas ia ser uma experiência interessante. 

    Ele sorriu do meu comentário e depois saiu. Esse menino que eu não tinha perguntado o nome, parecia ser muito legal além de lindo.

    Depois disso não tinha mais nada de interessante para olhar na cidade, então voltei para a pousada. 

    Fui tomar um banho e depois tomar um chá para relaxar. As 8:00 da noite em ponto o Senhor Rym estava me esperando na entrada da pousada.

    Eu assinei a escritura da casa e paguei ele pelo terreno. A partir desse momento a casa e o terreno retornavam a família Loxley. Voltava a ser minha e assim seria para sempre. 

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