Mundo de ficçãoIniciar sessãoDuas semanas depois, tudo estava pronto para começarmos a reconstrução da mansão e ela irei ficar do jeito que imaginei sempre, pois eu iria cuidar de cada detalhe para que tudo ficasse perfeito.
A Senhora Martin, dona da pousada, era uma senhora ótima e simpática, mas também era fofoqueira e adorava falar mais do que deveria. Descobri que ela é francesa, mas após se casar aos 18 anos se mudou para essa cidade e nunca mais saiu, mesmo depois da morte do marido. E também não teve filhos. Nesse período, comprei um arco e flecha para treinar, afinal de contas tinha deixado o que meu padrinho meu deu lá em casa. Não queria estragar algo tão lindo e novo. Passava meu tempo livre treinando ou lendo. Aquele menino que me jogou no chão estava certo, Homero é incrível. Não consegui parar de ler os livros dele. --Senhorita Prime. — a Senhora Martin me chamou assim que entrei na pousada.- Chegou essa carta para a Senhorita. --Obrigada, Senhora Martin. — peguei a carta e subi para o meu quarto. Não era uma carta, mas sim um convite para um jantar hoje a noite. Um convite enviado pelo Xerife da cidade. Isso era uma coisa bem estranha, porque eu não conhecia o Xerife. Mas se queria descobrir o que estava acontecendo aqui, precisava ir a esse jantar. Ainda bem que eu tinha comprado roupas novas, até tinha comprado um vestido que seria perfeito para usar nesse jantar. Tomei um banho, para relaxar e pensar um pouco. Por que será que o Xerife da cidade queria jantar comigo? Por que justamente eu? Tinha acabado de chegar na cidade, como poderia saber de mim? Depois do banho, me troquei, colocando um vestido vinho não muito espalhafatoso, algo simples, porém muito elegante. Arrumei meu cabelo e fiz uma maquiagem leve, nada de mais, não queria parecer uma mulher vulgar para o xerife. Afinal, tenho que passar a imagem de uma jovem condessa. --A Senhorita está muito bonita essa noite. — Senhora Martin disse quando me viu descendo as escadas da pousada.- Vai a algum evento importante está noite? --Obrigada pelo elogio, senhora Martin. — falei para ela.- Mas aonde vou não é da sua conta. Eu saí sem falar mais nada para ela, mas percebi pela sua expressão que ficou irritada pela minha resposta. Uma carruagem já me esperava na frente da pousada para que eu fosse levada até a mansão do Xerife que ficava bem no centro da cidade. Quando cheguei nos portões de entrada da mansão, apresentei o convite do Xerife e sem fazer nenhuma pergunta, os homens dele me deixaram entrar. Eu fui levada por alguns servos por vários corredores até o local onde o Xerife já me aguardava. --Você deve ser a Senhorita Prime? — um homem mais velho, porém elegante, me perguntou. --Sim, sou eu. — respondi para ele fazendo uma pequena reverência.- Meu nome é Hope Prime. --É um prazer finalmente conhecê-la. — ele pegou minha mão e deu um beijo sobre ela.- Sou o Xerife James William. --É uma grande honra estar aqui e quero agradecer pelo convite para esse jantar. — eu disse sendo a mais educada possível.- Mas fiquei intrigada com uma coisa. --E o que seria? Posso saber? — ele perguntou. --Por que fui convidada para esse jantar? — fiz a pergunta que me incomodava a algum tempo.- Acabei de chegar a cidade, como poderia saber quem eu sou. --Eu não sei quem você é minha jovem. — ele disse se sentando em um sofá que ficava no canto da sala.- Apenas queria conhecer a jovem que comprou a mansão e o terreno dos Loxley. --Então você sabe sobre mim por conta da compra? — eu perguntei e ele concordou.- Desculpe, mas por que queria saber quem iria comprar aquelas terras? --Isso é uma longa história, para ser contada em outra ocasião. Mas vamos dizer ser um assunto pessoal para mim. --Entendo. — confesso que senti um certo incômodo ao ouvir aquilo.- E por isso queria conhecer a pessoa que compro o terreno? Se é um assunto pessoal, eu compreendo que queira conhecer os novos donos ou neste caso dona. --Exatamente. E quero te conhecer ainda mais. Se a Senhorita me permitir, é claro. — ele falou. --Somente se eu puder conhecê-lo também, senhor. — falei entrando na jogada dele. --Isso quer dizer que talvez uma amizade esteja se iniciando aqui? --Ainda não posso dizer amizade, senhor. — falei para ele.- Mas quem sabe uma parceria ou até mesmo uma aliança. --Isso me parece uma boa coisa. Parceiros então? Antes que eu pudesse responder a sua pergunta, as portas da sala foram abertas e uma mulher passou por ela vindo na minha direção. --Então essa é a famosa jovem que comprou as terras dos Loxley? — a mulher perguntou. --Sou eu mesmo. — respondi, fazendo uma pequena reverência para ela.- E quem seria a Senhora? --Essa é Emma William. — o Xerife disse indo para o lado da mulher.- Minha esposa. E Emma essa é a senhorita Hope Prime. --É um prazer conhecê-la, senhora. — eu disse sorrindo para ela. --O prazer é todo meu. — ela disse pegando minha mão e me olhando de cima a baixo.- Meu marido, ela é uma moça muito linda e deslumbrante. Olha que vestido magnífico. Onde comprou? --Em uma loja aqui mesmo na cidade. Não consegui trazer muitas roupas, por conta da viagem longa, então precisei comprar roupas novas. --Posso entender, já fiz muitas viagens desse tipo e sei o quanto é difícil levar roupas. Depois me conte o nome dessa loja, por favor. --Pode deixar, senhora. O Xerife olhou para algo que atrás de mim e deu um pequeno sorriso, com um certo orgulho. --Hope quero te apresentar meu filho Noah William. — quando me virei na direção que ele apontava tive uma grande surpresa. Era o menino que eu tinha esbarrado na cidade. --Olha só quem está aqui. — Noah disse ao me ver.- Não podia imaginar que uma mulher tão desastrada pudesse ser a dona do terreno mais cobiçado de Nottigham. --E não podia imaginar que o homem mais mal-educado da cidade fosse filho do Xerife. — disse para ele. --Vocês já se conhecem? — Emma perguntou para nós. --Sim, minha mãe. — Noah disse parando ao meu lado.- Essa é a moça que te falei, a que esbarrou em mim a alguns dias. --Meu Deus, é ela? — nós dois concordamos.- Meu filho não para de falar de você desde aquele dia. --Espero que fale coisas boas sobre mim. — eu disse para ela, mas olhando meio brava para ele. --É claro que sim. — Emma respondeu.- Ele está encantado por você. --Mãe! — Noah repreendeu a mãe e eu ri da reação dele.- Vamos parar com esse assunto. Bom, naquele dia não tive a chance de perguntar seu nome. --Hope. Condessa Hope Prime. — eu disse para ele e ele deu um beijo na minha mão como o pai fez. --Você é Condessa? — Emma perguntou. --Sim. — falei para ela.- Desde que era um bebê tenho esse título e com a morte de meus pais irei honrá-la. --Sinto muito pela sua perda. Por isso se mudou para cá? --Sim. Precisava de um novo lugar para recomeçar. A casa onde cresci tinha muitas lembranças, felizes e tristes. --Não posso imaginar como deve ser difícil para você perder pessoas tão importantes. — Emma pegou a minha mão com a intenção de fazer um carinho de consolo. --Não está sendo fácil mesmo. — eu disse para ela.- Mas está tudo bem. Eu fico com as lembranças deles para matar a saudade e aliviar um pouco da tristeza que sinto. Mas acredito que não me convidaram aqui para falar de coisas tristes. --Não mesmo. — xerife William disse para mim.- Mas vamos até à sala de jantar, pois acredito que em breve nossa comida já estará servida, se já não foi. Emma pegou nos braços do marido e seguiram pelo corredor que levaria até a sala de jantar. Noah ofereceu o seu braço e não quis ser indelicada, então aceitei. O Xerife estava certo, a mesa tinha sido posta e parecia que a comida estava deliciosa. Noah puxou a cadeira para eu sentar e foi o que eu fiz. Nosso jantar foi agradável e cheio de conversas bobas. Emma queria falar de coisas do dia a dia, como cuidar de uma casa ou joias, mas ela ficou frustrada ao perceber que nesse quesito não teríamos o que conversar. Por outro lado, com o Xerife a conversa fluiu muito bem, principalmente quando falávamos da mansão da minha família e o que eu pretendia fazer lá. --Xerife William. — eu chamei ele. --Por favor, Hope, me chame apenas de James. — ele pediu e eu concordei. --James, queria saber, por que a mansão estava abandonada? — perguntei, apenas para ouvir o que ele tinha para dizer, mesmo sabendo a resposta. --Ela foi vendida para o proprietário do qual você comprou, não me lembro o nome dele. — "não se importa em lembrar". Pensei comigo, mas não falei nada. --Mas por que ela foi vendida? — eu perguntei, pois achei a resposta vaga.- Os antigos donos morreram? --Não. — foi Noah quem respondeu.- Eles cometeram um crime contra a cidade e como punição as terras lhes foram tiradas. A resposta dele me pegou de surpresa, como assim os donos não tinham morrido. Meu padrinho John disse que eles estavam mortos. Será que ele se enganou? --Você disse que os antigos donos não morreram. O que aconteceu com eles? Os três se olharam como se guardassem um segredo de estado e talvez fosse. --Me desculpem se fui inconveniente. — falei abaixando a cabeça. --Não foi querida. — Emma falou para mim.- Eles estão na zona de mineração. São escravos agora e vivem lá também. Mas não precisa de preocupar, eles não vão reivindicar nada. Não teriam condições para isso. --Isso é um grande alívio. — respondi, tentando parecer aliviada, o que por dentro não é verdade. Depois disso continuamos jantando e conversando sobre minha vida e minha casa. Meus pais. Meu padrinho. Na verdade, eles fizeram um verdadeiro interrogatório. Noah, por outro lado, apenas comia e comentava sempre que era questionado. Mas uma coisa pude perceber, ele não tirava os olhos de mim. --Quero agradecer a vocês pelo convite, pelo jantar e pela companhia maravilhosa, estava tudo incrível. — eu disse para eles, depois do jantar.- Mas já está ficando tarde e eu preciso voltar para a pousada. Além disso, eu tenho muita coisa para preparar para começar as reformas na mansão. --Nós entendemos querida e gostaríamos de agradecer pela sua visita e saiba que nossa casa estará sempre aberta para você. — Emma disse segurando minha mão. --Fico muito honrada com isso. — eu disse para ela. --Nós que ficamos honrados pela sua visita. — James disse me dando um beijo na mão de despedida.- Noah, meu filho, faça a gentileza de acompanhar a Senhorita Prime até a pensão. --Não é necessário, senhor. — eu disse, tentando evitar o filho dele.- A carruagem está me esperando lá fora. --Dispensei a carruagem quando a senhorita chegou. — James disse me pegando de surpresa.- Você irá na nossa carruagem e não aceito recusa. --Já que será assim, então eu aceito e agradeço. — falei, mas estava contrariada.- Agradeço novamente por tudo. Me despedi do casal e segui para fora da casa. Noah vinha ao meu lado completamente calado. A carruagem já nos esperava do lado de fora. Noah abriu a porta para mim e eu entrei. Ele entrou depois e se sentou de frente para mim. O silêncio entre nos estava completamente constrangedor e estranho. --Por um acaso eu fiz algo que te desagradou? — perguntei para ele. --Não. Por que perguntaria isso? — ele quis saber. --Você não disse muito durante a maioria do jantar. — eu expliquei meu ponto.- E agora também não disse nada, então queria saber qual é a questão de tanto silêncio. Por acaso sou eu? --Não, senhorita. — ele disse para mim.- Apenas fiquei curioso com a vossa pessoa e gosto de observar as pessoas para poder conhecê-la. --E não seria menos estranho se o Senhor viesse conversar comigo. — disse para ele.- Aposto que me conheceria melhor se perguntasse ao invés de observar. --A Senhorita está certa. — falou ele.- Peço perdão pela minha indiscrição. --Esta perdoado. Então, faça sua pergunta. O que quer saber sobre mim? --Por que escolheu morar em Nottigham? Sendo uma moça de tantos conhecimentos e requisitos, poderia ter se mudado para a capital. --Por um simples motivo, eu gosto do interior e um amigo da família falou muito bem dessa cidade e preciso confessar que ela é tudo o que ele falou. --Então acho que ele mentiu para a senhorita. — ele falou mais para si do que para mim. --Como é? — perguntei para ele. --Nada, não, apenas falei comigo mesmo. A carruagem parou antes que eu pudesse descobrir do que ele estava falando. Noah desceu da carruagem e depois me ajudou a descer. Ele me acompanhou até a entrada da pousada. --Muito obrigada por ter me acompanhado até aqui. — eu disse para ele. --O prazer foi meu, senhorita. Espero que possamos nos ver novamente. — ele pegou minha mão e deu um beijo.- Boa noite, Lady Prime. Ele se virou antes que eu pudesse falar qualquer coisa. Eu fiquei dando risada do modo como ele me chamou. Voltei para o meu quarto, tirei o vestido e me joguei na cama, mas não consegui dormir. Por vários motivos, mas o principal deles, porque agora eu sabia que meus pais estavam vivos.






