Mundo de ficçãoIniciar sessãoOs dias passaram normalmente depois dos acontecimentos na mansão. Nunca mais vi o Noah nem seus pais e não estava ligando para isso.
O trabalho continuou indo muito bem na mansão e a cada dia tudo ficava mais lindo e eu ficava orgulhosa de ver a casa da minha família ganhando forma e vida de novo. Eu voltei nas minas, mais duas vezes depois daquilo, mas não vi meus pais nenhuma vez. O que era um pouco triste, pois tinha ido até lá para vê-los também. Mas, nas vezes em que fui até lá, fiquei feliz em ver como a família do Dylan estava feliz com o dinheiro que eu pagava pela construção e em como eles ajudavam quem não tinha nada. É triste ver quantas pessoas passam fome nas Minas e em quantas crianças estão trabalhando para conseguir alguma moeda, sendo que elas deveriam estar brincando e correndo por aí. Eu queria fazer algo para ajudá-las. Eu precisava fazer algo. Mas o quê? --Dylan. — chamei ele na hora do almoço.- Posso falar com você um pouco. --Claro, Hope. — ele se levantou da mesa e me acompanhou. --Desculpe atrapalhar a hora do seu almoço. — eu falei andando ao lado dele. --Não tem nada, adoro vossa companhia. — ele respondeu.- No que posso te ajudar? --As pessoas que moram nas Minas. — eu estava meio sem jeito de perguntar. --O que tem elas? — Dylan olhava para frente. --Vocês pagam impostos ao Xerife e aos bancos da cidade? — eu perguntei meio envergonhada. --Sim. — ele parecia triste ao responder.- E não são poucos. Pagamos pela casa que construímos, pelo espaço onde ela está, pelo pouco de comida que recebemos, até mesmo pelo espaço onde trabalhamos. --E esses impostos são caros? — eu perguntei. --Não. Mas se juntar tudo e com o pouco que ganhamos acaba sendo caro. Muitos acabam nem conseguindo pagar e só acumula mais imposto. Mas por que a senhorita quer saber? --Apenas por curiosidade. — respondi para ele.- Ouvi alguém comentando em uma das visitas a mina sobre os impostos. --Graças ao dinheiro que recebo aqui na construção, pude pagar as contas atrasadas, os impostos, comprar comida e ainda sobra. --É bom saber que meu dinheiro está sendo muito bem usado. — eu sorri e parei olhando para a casa.- Mas vocês merecem, esse lugar está ficando perfeito. Do jeito que eu imaginei. --Fico feliz que você tenha gostado. — ele também olhava a casa.- Estamos fazendo o nosso melhor. --E é um ótimo trabalho, por favor, diga isso a todos por mim e agradeça também. --Eu farei isso, Hope. --Bom, agora você pode voltar para o seu almoço, prometo não atrapalhar mais. --Se for para ter a sua companhia, pode me atrapalhar o quanto quiser. Ele fez uma pequena reverência e foi se sentar com os amigos na mesa. Eu fiquei ali parada, olhando para a mansão Loxley e foi nesse momento que eu soube o que iria fazer para ajudar as pessoas que vivam nas minas. Eu iria retomar a obra do meu pai. Ia retomar o legado que meu pai tinha construído a tantos anos. Eu ia roubar dos ricos para dar aos pobres. Eu ia me tornar Hood. Afinal de contas, eu sou o legado de Robin Hood. E nessa mesma noite eu coloquei meu plano em ação. Eu tinha comprado um arco e uma aljava cheia de flechas para caçar. Para me distrair. Mas agora ela iria servir a outro propósito. Abri o baú, olhei no fundo, e estava lá dentro enrolado na bandeira da família Loxley. Peguei o embrulho e coloquei sobre a cama. Abri-o e dentro dele estava a jaqueta com o capuz que meu pai usava e que se tornou um símbolo. Meu pai deu a jaqueta ao John para que eu sempre soubesse quem ele tinha sido e nessa noite eu iria trazer o símbolo de volta das cinzas, como uma fênix renascendo. Troquei de roupa. Coloquei uma calça masculina, uma blusa, meu corpete preto e a jaqueta. Seria melhor se as pessoas pensassem que eu sou um homem, porque assim ninguém iria procurar por uma mulher, principalmente uma Condessa. Eu não poderia ser vista, então eu não poderia sair pela porta da frente. Ainda bem que meu quarto fica no primeiro andar, então eu poderia sair pela janela e voltar pelo mesmo caminho. Não tinha ninguém na viela ao lado e isso era bom. Sai pela janela e dei um pulo, aterrissei muito bem no chão. Ainda bem que meu padrinho tinha me treinado para fazer essas coisas, como pular de janelas. Sai andando pelos cantos escuros para não ser vista. Coloquei o capuz e fui para o porto da cidade. Eu tinha descoberto por pessoas na rua que um carregamento de dinheiro estava vindo da capital enviado pela igreja e essa era a minha chance. Fiquei escondida atrás de algumas caixas, somente esperando e a minha espera não foi em vão. Os homens do Xerife começaram a tirar as caixas de dentro do navio e eu esperei o momento certo. Quando eles levaram as caixas lá para dentro de um depósito e deixaram apenas dois guardas do lado, eu soube que aquela era a minha chance. Quem é o imbecil que deixa apenas dois guardas de guarda para proteger tanto ouro? Isso era tudo o que eu pensava enquanto atravessava o caminho das caixas até o depósito em meio a escuridão. Quando já estava a uma distância segura, coloquei uma flecha no arco e acertei um guarda. Antes que o outro pudesse reagir, acertei uma flecha nele também. Mas não os matei, porque a única coisa que já tinha matado era animais na caçada com meu padrinho e eu ainda não estava pronta para matar pessoas, ainda não, mas sabia que em breve eu precisaria estar. Dentro do depósito tinham apenas três homens fazendo a pesagem do ouro e os registros. --Se cooperarem, ninguém se machuca. — eu disse tentando mudar minha voz, para se parecer com um homem. --Você? — um dos contadores disse e eles estava bem surpreso.- Como isso é possível? --Não sou o Robin, apenas um novo Hood. — eu respondi.- Agora coloquem o maior número possível de ouro nas carroças que estão lá fora. --Você, seja lá quem for, não pode roubar esse ouro, é do xerife. — outro contador falou. --Diziam o mesmo para o outro Hood e mesmo assim ele conseguiu o que queria. — eu disse, começando a ficar irritada.- Agora façam o que eu mandei. --E se não fizermos? — o terceiro contador quiz saber. Eu acertei uma flecha na perna do terceiro contador e ele caiu gemendo. --Se não fizerem, a próxima será no coração. — eu respondi, já preparando a próxima flecha. Os outros dois contadores se entreolharam e começaram a fazer o que eu mandei. Quinze minutos depois todo o ouro estava na carroça. --Ótimo trabalho. — eu disse para eles.- Desculpa por isso, mas o Xerife não pode ser avisado disso, pelo menos não hoje. --Desculpa pelo que, seu maluco? — o contador da flechada perguntou. Eu não respondi, apenas peguei uma flecha especial que eu mesmo tinha preparado e acertei no chão ao lado deles. --Acho que você errou. - um contador respondeu sorrindo. --Eu nunca erro. — respondi e foi a minha vez de sorrir. Então a ponta da flecha no chão explodiu e uma névoa de gaz começou a sair. Era um gaz feito para colocar as pessoas para dormir e em segundos os três contadores estavam no chão. Apaguei a luz do depósito e fechei a porta ao sair. Subi na carroça e parti em direção ao meu próximo destino.






