A noite em Londres não era apenas escura; era líquida. Uma tempestade de fim de inverno desabava sobre a cidade, transformando as ruas de paralelepípedos em rios negros e fustigando as janelas da mansão Valla com uma fúria impiedosa.
Dentro da biblioteca, o som da chuva batendo contra os vidros era um lembrete constante de que o mundo exterior era um lugar hostil. Mas, para Arthur, o verdadeiro perigo estava dentro daquelas paredes revestidas de mogno e couro.
Ele estava sentado diante da lareira, a única fonte de luz em um cômodo que preferia as sombras. O brilho âmbar das chamas dançava em seu copo de cristal, mas o conhaque permanecia intocado. Seus pensamentos, geralmente organizados como as colunas de um livro-razão, estavam em um caos absoluto.
A denúncia anônima de Julian Vane fora um golpe baixo, mas tecnicamente brilhante. No dia seguinte, ele teria que provar no tribunal que o amor de sua vida não era uma farsa comprada para enganar a lei.
A porta da biblioteca rangeu. E