((Lorenzo))
A escuridão sempre foi um lugar confortável para mim.
A maioria teme o desconhecido, teme o que não consegue ver.
Eu não.
A escuridão é um aliado, silencioso e leal.
Ela cobre meus passos.
Protege meus segredos.
E guarda as minhas armas.
A noite estava particularmente quieta. Um silêncio espesso cobria o terreno, como se até a natureza recuasse diante do que estava prestes a acontecer. Caminhei pela sala principal do meu esconderijo improvisado — um galpão antigo, afastado da cidade, onde ninguém ousaria procurar.
O mundo achava que eu era um fantasma.
E de certa forma, era mesmo.
Me aproximei da janela alta, observando o horizonte. Lá, perdido na escuridão, estava o território dos Montanari.
A casa deles.
A fortaleza deles.
A família que eu jurara destruir.
Mas destruir apenas não era suficiente.
Eu queria que eles sentissem.
Queria que soubessem que cada passo deles tinha sido calculado por mim, desde o início.
Passei a mão pela barba sem tirar os olhos da noite.
— Eles