Mundo de ficçãoIniciar sessãoLuis Fernando parou na porta da suíte, com a gravata frouxa na mão e o olhar fixo em Valentina. A luz suave dos abajures dourados iluminava o rosto dela, ainda corado da tensão do evento. O vestido preto longo que ele havia escolhido continuava marcando cada curva do corpo dela de forma quase cruel. Ele apertou a mandíbula, lutando contra o impulso que ameaçava dominá-lo.
— Valentina... — repetiu ele, a voz baixa e rouca, carregada de algo que não era mais apenas raiva. Ela se levantou do sofá lentamente, como se qualquer movimento brusco pudesse quebrar o frágil equilíbrio entre os dois. O coração dela batia tão forte que parecia ecoar no silêncio da suíte luxuosa. — Senhor Bracho, eu... eu já ia dormir — murmurou ela, tentando manter a voz firme. Mas os olhos traíam tudo: confusão, desejo e medo. Luis Fernando deu um passo à frente, depois outro. A porta se fechou atrás dele com um clique suave que soou como o início de algo irreversível. — Pare de me chamar de senhor Bracho como se isso mudasse alguma coisa — disse ele, parando a poucos metros dela. — Não depois do que quase aconteceu no jardim. Valentina engoliu em seco. As imagens da noite voltaram com força: o corpo dele quase colado ao dela, o polegar roçando seu queixo, o calor daquele olhar verde que parecia capaz de derretê-la. — Não aconteceu nada — respondeu ela, erguendo o queixo em desafio. — E nada vai acontecer. O senhor é meu chefe, e eu sou apenas uma estagiária. Luis Fernando soltou uma risada baixa, sem humor, mas cheia de amargura. — Apenas uma estagiária? — Ele deu mais um passo, reduzindo a distância. — Você invadiu minha empresa, minha rotina, meus pensamentos... e agora está aqui, no meu hotel, usando o vestido que eu escolhi, me encarando como se quisesse me matar e me beijar ao mesmo tempo. Valentina sentiu o rosto queimar. Ela recuou até encostar na parede da sala de estar. Não havia mais para onde fugir. — O senhor está imaginando coisas — sussurrou ela. — Eu te odeio, Luis Fernando. Você me humilha todos os dias. Me trata como se eu fosse nada. Por que eu iria querer... Ela não conseguiu terminar a frase. Ele fechou o espaço restante em dois passos largos e colocou as mãos na parede, uma de cada lado da cabeça dela, aprisionando-a sem tocá-la diretamente. O perfume dele a envolveu completamente. — Diga de novo — ordenou ele, o rosto a poucos centímetros do dela. — Diga que me odeia. Valentina respirou com dificuldade. Os olhos verdes dele estavam escuros, quase pretos de desejo contido. Ela via o peito dele subir e descer rapidamente, o maxilar travado, o controle por um fio. — Eu te odeio — disse ela, mas a voz saiu fraca, trêmula. Luis Fernando inclinou a cabeça, roçando o nariz de leve na bochecha dela. Não era um beijo. Era algo pior. Uma provocação lenta, torturante. — Mentirosa — murmurou ele contra a pele dela. — Seu corpo não mente. Eu sinto como você treme quando eu me aproximo. Como sua respiração muda. Você me deseja tanto quanto eu te desejo, mesmo sabendo que isso é uma loucura. Valentina fechou os olhos com força. Lágrimas de frustração e excitação ameaçavam cair. Uma de suas mãos subiu involuntariamente e agarrou a frente da camisa dele, amassando o tecido caro. — Isso não pode acontecer... — sussurrou ela, quase suplicando. — Minha mãe... meu irmão... meu emprego... Se eu me envolver com você, tudo vai desmoronar. Por um segundo, algo suave passou pelo rosto de Luis Fernando. Uma rachadura na armadura de gelo. Ele encostou a testa na dela, respirando o mesmo ar. — Eu não faço promessas, Valentina. Eu não sou o príncipe das novelas idiotas que você provavelmente assiste. Sou egoísta. Sou cruel. E agora eu quero você de um jeito que eu não queria ninguém há muito tempo. A mão dele desceu lentamente pela cintura dela, parando no quadril. O toque queimava através do tecido fino do vestido. Valentina soltou um suspiro trêmulo. O corpo dela reagia contra sua vontade — os seios arfando, os joelhos enfraquecendo. — Então me demita — desafiou ela, abrindo os olhos e encarando-o. — Me tire dessa empresa e pare de me torturar. Luis Fernando sorriu. Um sorriso perigoso, predatório. — Demitir você seria fácil. Mas eu não quero te tirar da minha vida. Quero te ter perto. Quero te quebrar... e depois te reconstruir do meu jeito. Ele inclinou o rosto, os lábios roçando os dela de leve — quase um beijo, mas não completamente. Valentina sentiu o gosto dele, o calor, a tentação. Seu corpo inteiro latejava. Ela apertou mais a camisa dele, puxando-o inconscientemente para mais perto. Por um instante, pareceu que a barreira finalmente iria cair. Então, o celular de Luis Fernando tocou alto no bolso do paletó jogado no sofá. O som estridente quebrou o encanto como um soco. Ele fechou os olhos, praguejando baixinho, e se afastou abruptamente. Pegou o telefone e atendeu com a voz fria: — O que foi? Valentina deslizou pela parede até sentar no chão, as pernas fracas demais para sustentá-la. Observou enquanto ele caminhava de um lado para o outro, discutindo algo sobre um contrato urgente. Quando ele desligou, o momento havia passado. A máscara de CEO arrogante havia voltado. — Era importante — disse ele, sem encará-la. — Amanhã voltamos para a Cidade do México cedo. Esteja pronta às sete. Valentina se levantou devagar, ajeitando o vestido com as mãos trêmulas. — Sim, senhor Bracho. Ela caminhou até a porta do quarto adjacente. Antes de entrar, parou e olhou para trás. Luis Fernando estava de costas, servindo-se de uma dose generosa de uísque. — Luis Fernando... — chamou ela, usando o primeiro nome pela primeira vez. Ele congelou. — Isso nunca mais vai se repetir — completou ela, com a voz mais firme que conseguiu. — Eu não sou brinquedo de ninguém. Nem seu. Ele não respondeu. Apenas bebeu o uísque de uma vez. Valentina entrou no quarto e trancou a porta. Encostou a testa na madeira fria e deixou as lágrimas caírem silenciosamente. Do outro lado, Luis Fernando jogou o copo vazio contra a parede, onde ele se espatifou em mil pedaços. — Maldita seja, Valentina Morales — rosnou para o vazio. — Você está conseguindo o impossível. Ele passou a mão pelo rosto, tentando recuperar o controle que sempre fora seu maior orgulho. Mas pela primeira vez em anos, Luis Fernando Bracho sentia que o controle estava escapando por entre seus dedos.






