6: Tentação Proibida

Valentina passou a noite inteira em claro. Cada vez que fechava os olhos, via o rosto de Luis Fernando a centímetros do seu, o olhar escurecido de desejo e raiva. A parede que separava os quartos parecia fina demais. Ela quase conseguia sentir a presença dele do outro lado, como uma força magnética que a puxava e a repelia ao mesmo tempo.

— Eu não posso sentir isso — sussurrou para si mesma, encarando o teto. — Ele é tudo que eu desprezo. Arrogante. Cruel. Rico demais para entender meu mundo.

Mas o corpo traía a mente. O calor que havia subido pela sua pele na noite anterior ainda permanecia, latejando baixo na barriga. Ela se levantou cedo, tomou um banho frio longo e vestiu uma roupa mais simples: calça social preta e blusa de seda bege. Precisava parecer profissional. Inatingível.

Quando saiu do quarto, Luis Fernando já estava na sala de estar, terminando o café da manhã. Ele vestia uma camisa social cinza clara com as mangas dobradas até os antebraços, revelando veias e músculos definidos. O cabelo estava ligeiramente bagunçado, como se ele também não tivesse dormido bem.

— Bom dia — disse ele, sem olhar diretamente para ela. A voz estava rouca.

— Bom dia, senhor Bracho.

O silêncio foi constrangedor. Nenhum dos dois mencionou o que quase havia acontecido na noite anterior. Luis Fernando empurrou uma xícara de café na direção dela.

— Beba. Temos um dia cheio. Evento beneficente à noite. Você vai me acompanhar.

Valentina arregalou os olhos.

— Eu? Mas eu não tenho roupa adequada para esse tipo de evento...

— Já resolvi isso. Uma estilista virá em uma hora. Considere parte do trabalho.

Ela quis protestar, mas o olhar dele não deixava espaço para discussão. O dia seguiu em ritmo acelerado. Reuniões pela manhã, almoço com parceiros comerciais e, à tarde, Luis Fernando a surpreendeu ao pedir sua opinião sobre uma nova campanha publicitária. Pela primeira vez, ele ouviu sem interromper. Quando ela terminou de falar, ele assentiu devagar.

— Você tem boas ideias, Valentina. Pena que sua execução ainda seja amadora.

O elogio misturado com crítica doeu mais do que uma ofensa pura. Era como se ele soubesse exatamente onde apertar para desestabilizá-la.

Às cinco da tarde, a estilista chegou com três vestidos. Valentina experimentou todos no quarto. O escolhido por Luis Fernando foi um longo preto, elegante, com decote discreto nas costas e que marcava sutilmente sua silhueta. Quando ela saiu do quarto, ele estava de terno preto completo, devastadoramente bonito.

Ele parou no meio da sala, olhando-a fixamente. Seus olhos percorreram o corpo dela devagar, desde os pés com saltos altos até o rosto. Algo brilhou naquele olhar verde — fome.

— Serviu — disse ele, rouco. — Vamos.

O evento era em um salão luxuoso nos jardins de um hotel histórico de Guadalajara. Luzes suaves, música ao vivo, pessoas ricas e influentes circulando com taças de champanhe. Valentina se sentia completamente deslocada, mas Luis Fernando mantinha a mão em suas costas de forma possessiva enquanto a guiava pelo salão.

— Sorria e fique ao meu lado — murmurou ele perto do ouvido dela. O hálito quente causou arrepios.

Camila de la Fuente apareceu como um fantasma. Vestida em vermelho vivo, deslumbrante e venenosa. Ela se aproximou com um sorriso falso, ignorando Valentina completamente.

— Fernando, querido! Não esperava te ver aqui. Sozinho? — perguntou, lançando um olhar rápido e depreciativo para Valentina.

— Não estou sozinho — respondeu ele, seco, puxando Valentina um pouco mais para perto.

Camila riu, um som falso e cortante.

— Uma assistente? Sério? Você caiu tão baixo assim?

Valentina sentiu o sangue ferver. Antes que pudesse se controlar, respondeu:

— Assistente ou não, pelo menos não preciso me humilhar para chamar atenção dele.

O silêncio que se seguiu foi mortal. Luis Fernando apertou a mão na cintura dela, mas Valentina não soube se era para repreendê-la ou apoiá-la. Camila estreitou os olhos.

— Você vai se arrepender disso, garotinha.

Ela se afastou, furiosa. Luis Fernando puxou Valentina para um canto mais reservado do jardim, atrás de uma grande fonte iluminada.

— O que foi aquilo? — questionou ele, virando-a de frente para si. — Eu não te trouxe para brigar com minha ex-noiva.

— Ela me insultou primeiro! — rebateu Valentina, erguendo o queixo. — Ou você esperava que eu ficasse quieta enquanto ela me trata como lixo?

Os olhos dele escureceram. A luz suave da fonte dançava no rosto dele, tornando-o ainda mais atraente e perigoso. Ele deu um passo à frente, encurralando-a contra uma coluna de pedra.

— Você não sabe quando calar a boca, Valentina Morales. Isso vai te meter em encrenca.

— Talvez eu goste de encrenca — respondeu ela, sem saber de onde vinha aquela coragem.

Luis Fernando soltou uma risada baixa, quase selvagem. Ele colocou uma mão na coluna ao lado da cabeça dela, inclinando-se. Seus corpos quase se tocavam. O perfume dele misturado ao cheiro de jardim à noite era inebriante.

— Você me testa todos os dias — murmurou ele, o olhar fixo nos lábios dela. — Desde o momento em que derramou aquele café ridículo em mim. Você invadiu minha empresa, minha rotina... e agora minha cabeça.

Valentina sentia o coração prestes a explodir. A boca dele estava tão perto. Bastava inclinar um centímetro...

— Eu te odeio — sussurrou ela.

— Minta melhor — respondeu ele, rouco.

O polegar dele roçou de leve o queixo dela. O toque foi elétrico. Por um instante, pareceu que ele finalmente ia beijá-la. Os olhos de Luis Fernando estavam quase pretos de desejo. A respiração dele acelerou.

De repente, uma voz chamou do salão:

— Senhor Bracho! Precisamos de você para o discurso!

Luis Fernando fechou os olhos por um segundo, como se estivesse lutando contra si mesmo. Ele se afastou bruscamente, passando a mão pelo cabelo.

— Volte para o hotel — ordenou, a voz fria novamente. — Eu termino aqui sozinho.

Valentina ficou parada, tremendo, enquanto ele se afastava sem olhar para trás.

No caminho de volta para o hotel, sozinha no carro, ela encostou a testa no vidro frio. Lágrimas de frustração e confusão escorreram pelo seu rosto.

— Eu não posso... não posso sentir nada por ele — repetia para si mesma.

Mas era tarde. A linha entre ódio e desejo já havia sido cruzada.

Quando Luis Fernando voltou para a suíte, mais de uma hora depois, encontrou Valentina sentada no sofá da sala comum, ainda com o vestido preto. Ela não havia conseguido dormir.

Ele parou na porta, afrouxando a gravata. Os olhares se encontraram. Nenhum dos dois falou.

O ar estava carregado. Perigoso. Pronta para explodir.

Luis Fernando deu um passo à frente.

— Valentina...

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