Narrado por Marcello Bianchi
Quando recebi a notícia de que Volkov havia reforçado as ruas, senti o sangue ferver num lugar antigo, quase físico. Não é o medo que ferve — é a ira. Uma raiva certeira, como ácido, porque alguém ousou me dizer que eu não poderia tomar o que desejo, ou que não posso mover minhas peças onde quiser.
Pedi os dossiês na mesma hora. Queria ver os mapas, as câmeras, os horários de patrulha. Queria entender a geometria da prisão que ele chamava de cidade. Yakov me trouxe tudo em uma pasta surrada, os olhos sempre ligeiramente vazios — a humilhação dele ainda estava lá, mas havia zelo no modo como entregou as páginas. Precisavam da minha bênção; eu precisava da vantagem.
Abri os arquivos com calma teatral. Fotos, plantas da propriedade, rostos dos chefes de segurança. Volkov havia feito o óbvio: dobrado os postos, plantado atiradores nas torres, redesenhado rotas de patrulha. Profissional. Previsível. Pedro, se isso fosse um jogo de xadrez, ele havia trocado do