Narrado por Marcello
O homem entrou no salão em silêncio, com a postura curvada e o olhar baixo. Já dava pra ver no rosto dele que trazia coisa grande. O medo, nesses casos, é sempre um bom sinal — indica que o conteúdo é sério, que ele entende o peso do que carrega. Fez uma reverência desajeitada e colocou o envelope sobre a mesa, como se fosse algo sagrado.
Fiquei um tempo só observando. O relógio marcava quase meia-noite, e o fogo da lareira lançava sombras vermelhas pelas paredes. O vinho na taça estava pela metade, o cigarro queimava no cinzeiro. Peguei o envelope e senti o papel grosso, o cheiro de fumaça e pólvora. Informação quente, recém-colhida.
Abri.
O primeiro nome que saltou foi Anya.
Relatório completo. Dias, horários, trajetos, pessoas próximas.
As letras eram frias, objetivas, como devem ser quando o assunto é vigilância.
> “Anya dá aula uma vez por semana, às terças, das 8h30 às 12h. Local fixo: colégio particular. Chega sozinha, sai acompanhada das amigas Polina e Da