Narrado por Anya Volkov
A primeira coisa que me atingiu quando acordei não foi a dor na cabeça.
Foi o cheiro.
Ferro velho. Poeira. Óleo queimado. O tipo de cheiro que gruda na roupa, na alma, e diz sem palavras que você não vai sair inteira dali.
Tentei me mexer, mas meus pulsos estavam presos. Cordas grossas, amarradas a uma pilha de caixas enferrujadas. Ao meu lado, Darya e Polina estavam na mesma situação, ainda desacordadas, respirando rápido demais.
Meu coração batia tão forte que parecia que ia rasgar minha costela.
Anya: — Meninas… meninas, acordem…
Minha voz saiu baixa, trêmula.
O galpão era enorme. As janelas estavam tapadas com madeira velha. Só uma lâmpada no teto tremeluzia, fazendo sombras dançarem pelas paredes como monstros esperando a vez.
Polina foi a primeira a abrir os olhos.
Polina: — A… Anya? Onde a gente tá?
Anya: — Não faz movimento brusco. As cordas são apertadas demais.
Ela olhou em volta, assustada, tentando entender.
Polina: — Caralho… isso é…
Darya acordou