Narrado por Dmitri
Quando entrei na sala de operações, a primeira coisa que eu vi foi o relógio digital na parede. Faltavam sete horas para completar as vinte e quatro que aquele desgraçado do Marcelo me deu.
Sete horas.
Nunca senti o tempo me enforcar tão forte.
Mikhail estava de pé, as mãos apoiadas na mesa, o rosto tenso. Ele não olhava para mim — olhava para as telas, para as imagens congeladas onde Yakov aparecia rápido demais, borrado demais, mas claramente ali.
Mikhail: Eu refinei as imagens. Ele passou perto de três galpões diferentes… todos naquela região perto do porto.
Eu me aproximei.
Dmitri: Três?
Mikhail: É. Todos abandonados. Todos perfeitos pra esconder gente. E ele aparece em trajetos que passam pelos três. Não dá pra saber qual é só pelos vídeos.
Eu fechei os olhos por um instante. A cabeça latejou.
Se eu errasse…
Se eu invadisse o galpão errado…
Se eu perdesse uma hora sequer…
Anya.
Meu filho.
O mundo inteiro parecia girar rápido demais.
Dmitri: Me mostra de novo.
M