Narrado por Marcello
Eu já conhecia cada movimento da rotina deles; não por orgulho, mas porque o mundo de poder não perdoa quem subestima detalhes pequenos. A propriedade onde o casal havia se instalado era vigiada, sim — havia câmeras, homens nos portões, rotas de patrulha. Mas nada é perfeito. Nada que sobreviva ao olhar certo.
Me entregaram o relatório às dez da noite: “Anya dá aula uma vez por semana. Aula curta. Sai às quinze e quinze. Dois guardas da frente fazem a pausa do café entre quinze e vinte e quinze. As câmeras do lado norte têm tempo morto por manutenção entre quinze e trinta e quinze.” Li e reli o papel como quem recorta a garganta de um inimigo com a precisão de uma lâmina. Pequenos espaços. Pequenas mortes de vigilância. Foi ali que nasceu o plano.
Chamei Yakov ao meu escritório. Ele entrou com o passo medido de sempre, mas o rosto mais fechado do que de costume. Não precisava falar. Coloquei o relatório sobre a mesa, empurrei até ele e deixei que o silêncio fizess